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RG Vogue

Hypercool - Homem na moda

04/08/2008 15:38

Mudancinha

Oi. Só pra dizer que, de ferramenta nova, este blog agora pertence ao endereço http://colunistas.ig.com.br/hypercool. Atualizem seu blogroll e rendez-vous por lá a partir de amanhã.


enviada por Sylvain



31/07/2008 17:58

Dicas e curiosidades by GQ France, parte 1


Prometi, há uns três posts atrás, que ia escrever aqui algumas dicas e curiosidades de estilo que saíram na última edição da GQ francesa. Pois bem, antes tarde do que nunca. São 14 tópicos, na verdade. Não concordo 100% com alguns, que fique bem claro. O fato de eu postar aqui não significa que acho que tudo o que está escrito ali é regra. Mas, no geral, tudo faz sentido, e tem alguns pontos muito bons. Dividi em 2 posts para não ficar maçante e para fazer render o assunto, ok? Vamos a eles:



1. A Pólo: Ela tem suas vantagens: define os bíceps e o peitoral (de quem os tem, claro) e não precisa obrigatoriamente ser passada a ferro. Mas tem umas regrinhas: não deve ser usada por dentro da calça, para não perder o ar cool e fazer você ficar parecido com um mauricinho babaca (hum...há controvérsias...). Também não se deve usar camiseta por baixo de uma pólo (aham) e deve-se abotoar um dos botões quando forem dois, dois quando forem três ou todos para parecer mais moderninho. Pode-se ousar à vontade nas cores da pólo, mas ela nunca pode ser oversized, melhor mais ajustada.

2. Em um jantar formal, em que momento é permitido tirar o paletó?:
a - Depois da sobremesa
b - Após o prato principal
c - Depois do discurso
d - Nunca
*Resposta no final do post

3. Você sabe tirar suas medidas?: Peito: Medir (com uma fita métrica, dã) toda a circunferência por sob as axilas;
Ombros: Nas costas, meça da ponta de um ombro ao outro;
Mangas: Com o braço estendido ao longo do corpo, meça da ponta do ombro ao começo do polegar (ali no primeiro ossinho)
Pescoço: meça a circunferência, na base do pescoço, colocando um dedo entre a fita e a pele

4. Com que frequência deve-se lavar os cabelos?: Duas a três vezes por semana, não mais. Todos os dias, de jeito nenhum. Eles ficam muito secos, menos suaves e bonitos. Escolha o tipo de shampoo mais adequado ao seu tipo de cabelo e evite lavar com os sabonetes líquidos, que detonam o couro cabeludo



5. O que significa o clássico logo da Brooks Brothers? (tem uma ovelha pendurada por uma fita): O logo foi adotado em 1850 pelo Brooks filho. É um símbolo dos mercadores europeus de lã e também dos Cavaleiros da Tosa de Ouro, incarnando o lado elitista e qualitativo da grife americana. (Ah, tá.)

6. Sapato branco pode?: Sim, pois dá um ar classudo de Great Gatsby, mas fuja do look total white. Ah, e tênis branco tá mais que liberado.

7. Como usar uma écharpe?: Como se fosse com smoking: fina, caída displicentemente sobre a nuca. Dá um ar cool ao terno de verão ou até mesmo a uma simples camisa. GQ aprova (e eu também).

Continua logo, logo em um post pertinho de você.

(Resposta do item 2: letra d - Nunca!)


enviada por Sylvain



30/07/2008 16:07

Clube do Ricardo




Ricardo Almeida adora reunir amigos, clientes e televisivos para lançar suas coleções. Foi assim enquanto participou do SPFW, está sendo assim desde que deixou o evento. Ontem, o auê foi no recém-(re)inaugurado Pandoro, point da elite paulistana desde 1953 (fechou em 2006 e reabriu este ano, repaginado por João Armentano), regado a muito caju-amigo, drink histórico da casa. Na "passarela", dez modelos e doze convidados desfilaram impecáveis ternos da linha mais formal da coleção de verão 2009. Na "platéia", de Sandy e Junior a Hebe Camargo, passando por Rico Mansur e mauricinhos equivalentes. Normal.



Em entrevista coletiva a um punhado de jornalistas mais interessados na moda do que no agito, Ricardo revelou que optou pela locação por um desejo de resgatar valores e boas maneiras de uma forma geral, olhando para o passado para reavaliar o presente. Reflexo desse pensamento foram os ternos completos (com direito a colete e lenço no bolso) em xadrezes variantes do príncipe de Gales vestidos pelos meninos, que também tinham os cabelos gomalinados bem à moda antiga, enquanto nas caixas de som ecoava uma bossa nova revisitada. A silhueta masculina relaxou no hemisfério norte e Ricardo seguiu a maré, sem perder o shape esguio ao qual é fiel e que, realmente, é o mais elegante quando se trata de alfaiataria.

Paletós de dois botões reinam na coleção, basicamente trabalhada em tons de cinza, pontuados por cores mais fortes nas gravatas. Tem ainda um certo mix de padronagens, com os xadrezes dos ternos, mixados com as listras e poás das camisas, além das estampas das gravatas. Enfim, tudo muito chique, bem cortado e clássico, com a assinatura do anfitrião da noite, que ainda revelou algumas curiosidades sobre sua visão de moda para homens no século 21.



Ricardo acredita no bespoke como futuro de consumo. Entenda por aí que a tendência entre os homens é a de querer algo cada vez mais personalizado e exclusivo, nem que para isso tenha que pagar mais caro. Isso tem a ver com o perfil masculino de compra que, apesar de mais interessado e bem informado, não consome tanto a moda em si, mas qualidade e estilo. Em suma, o cliente de Ricardo Almeida quer roupa boa e que dure. E isso ele tem. Nesse momento da entrevista, rolou ainda um momento saia-justa na resposta a Alcino, que perguntou se Zegna e Tom Ford seriam os maiores concorrentes e se os valores dos ternos seriam justos. Achei as respostas de Ricardo plausíveis, explicando que compra-se os materiais nobres da alfaiataria de todos, mas compra-se também a assinatura, que agrega valor ao produto final, que chega a custar R$ 14.000 no caso do Sr.Ford. Natural, tudo o que a gente já sabe. Valer tudo isso não vale mas, that's fashion, honey.

Gostei também da explicação sobre o porquê de ignorar o jaquetão já que nas passarelas gringas eles dominaram: simplesmente porque é um tipo de abotoamento difícil, que só fica bem fechado e que, por causa do clima tropical, era pouco prático para o brasileiro, ao contrário de terras européias.

Três cajus e alguns acepipes depois, bati em retirada, contrariando a lei-seca. Foi por uma boa causa.




enviada por Sylvain



28/07/2008 22:04

Erotico-soft-pop




Conhece o Sébastien Tellier? Pois deveria, nem que fosse pra dar umas boas risadas. Sébastien é um cantor francês, muito figura, que se leva muito a sério (no fundo, quem conhece o humor francês, vai perceber que ele não se leva nem um pouco) no papel de novo Gainsbourg, mas a quem você não deve dar mais que deux Eurôs pelo show. Tá, tô exagerando, mas você vai entender.


Tellier, o figura


Chabal, o rugbiman


Petitjean, o modelo


Veloso, o stylist

Primeiro, o look: Barbudo e cabeludo, Sébastien parece ter sido separado no nascimento do jogador de rúgbi gaulês e xará Sébastien Chabal e do modelo Patrick Petitjean, também súdito de Sarkozy (seria uma moda entre os homens de lá?). Tem também o stylist Felipe Veloso que, até pouco tempo, era adepto do visual...enfim. Tellier nunca se separa de seus enormes óculos escuros e faz o estilo largadão retrô na hora de escolher os figurinos. Nada de estereótipo neste quesito.



Segundo, a música: o cara é polêmico. As opiniões se dividem sobre se a música que faz é genial ou se é uma farsa, uma tiração de sarro bem produzida (seu último álbum, Sexuality, é assinado por Guy-Manuel de Homem Christo, metade do Daft Punk). O fato é que as críticas são altamente favoráveis e tem gente endeusando e comparando a Robert Wyatt, Gainsbarre e Syd Barrett.
Tellier gosta de uma sacanagem. Suas músicas são meio monotemáticas, ou seja, só falam "daquilo" e o próprio já declarou que gostaria que fossem tocadas em filmes pornô. É super trilha de motel.



O álbum Sexuality (seu 3o.) já deixa isso bem claro na (linda) capa. E depois nas faixas todas, permeadas de explícitos e lascivos gemidos. Chega a ser um pouco entendiante, confesso. Mas, ok, tem lá seu valor. Outra: Em uma polêmica decisão, sua faixa "Divine" foi escolhida representante francesa no tradicional (e cafona) festival Eurovision, ocorrido em maio. Polêmica porque, apesar de ser parisiense da gema, Tellier canta basicamente em inglês, salpicando um italiano e um francês aqui e ali. E "Divine", sob protestos dos mais ferrenhos defensores da língua de Sartre, foi executada em inglês, sim, senhor, com duas frases em francês debochadamente inseridas no meio. Não foi a primeira vez que a representante da França foi cantada em outra língua, mas isso sempre gera discussão por lá, ajnda mais se for em inglês.
Sébastien começou abrindo shows para o Air (tudo a ver mesmo), em 2001, e foi aí que conheceu Sofia Coppola (o Air fez a trilha de Virgens Suicidas, lembram?). Em 2003, a música Fantino, de seu primeiro álbum, L'Incroyable Vérité, entrou na trilha de Encontros e Desencontros. Ou seja, está a um passo de virar cult. Quer mais?



Descobri no site-referência (os que gostam de música eletrônica conhecem) Rraurl, que o figuraça fechou uma parceria com a American Apparel (ainda este ano na Oscar Freire!!) para o lançamento de uma linha inspirada em seu último álbum e em algumas de suas faixas. Tem camisetas ótimas e até uma sugestiva calcinha. De quebra, desde o último dia 22 e durante os próximos três meses, o álbum e seus primeiros singles serão vendidos nas lojas da grife, como estratégia de promoção de ambos os produtos. Pas-bête du tout (ao pé da letra: nem um pouco besta).

Tá esperando o que pra conhecer M.Tellier? Vou ajudar postando aqui alguns vídeos-chave, mas vai lá no Myspace dele que dá pra ouvir o novo álbum todo. Mesmo não amando, acho ele necessário para a cena musical atual, que se leva tão a sério. Mas, sem essa de comparar com Gainsbourg, né? Menos, beeeem menos.


O primeiro hit: La Ritournelle (gosto bem desta)


A polêmica apresentação do hit Divine, no Eurovision. Reparem nas backing vocals.


Fantino, de Encontros e Desencontros


enviada por Sylvain



28/07/2008 16:25

Quizz

Um doce pro primeiro que adivinhar de quem são essas fotos, tiradas em 2004, durante um show da banda Phoenix, em Tóquio.







Post rapidinho, enquanto são feitos alguns ajustes na ferramenta do blog para melhorar nossa vida. Volto logo ao normal, prometo.




enviada por Sylvain



24/07/2008 23:16

I love NY

Acabei de receber meu exemplar de Julho (atrasado, claro. Obrigado, Correios...) da GQ francesa e, de novo, adorei o editorial de moda. Focada no preppy, a matéria - muito simpática, mais uma vez -, mostra 6 propostas fresquinhas de looks com aroma clássico, mas super atuais, trendy na medida certa, mostrando que gravatas, listras e xadrezes podem ser muito cool e nada caretas se usados de maneira esperta. A revista batizou as propostas com nomes de bairros de Nova York, onde foram feitos os cliques, cada uma com características típicas das redondezas. Entre os três meninos acertadamente escolhidos para a matéria, tem o nosso Evandro Soldati representando a Terra Brasilis, enquanto as fotos são assinadas pelo sueco Magnus Unnar, que vai se especializando em masculino, sempre com pegada jovem e despretensiosa. Gosto cada vez mais da linha adotada pela revista para seus editoriais, onde elegância e informação de moda se encontram em propostas nada bestas, que a maioria dos homens (que tenham o mínimo interesse por moda e uma cabeça semi-aberta) pode digerir tranqüilamente. Aposto que a maioria das revistas daqui acharia as cores e alguns shapes o cúmulo da ousadia, reprovando a matéria logo de cara...
No próximo post, vou reproduzir aqui 14 dicas e curiosidades de estilo tiradas de outra ótima matéria da edição número 5 de GQ France. Vale a pena.



SOHO: Preppy moderno, jovem e chic. Paletó xadrez (Marc), clássico, usado sobre camisa azul (Marc) e gravata de tricô marinho (Valentino). Jeans branco (Marc Jacobs), tênis e bolsa de couro (Marc)



UPPER MANHATTAN: O blazer tradicional (Tommy Hilfiger), de botões dourados, ganhou frescor com o corte seco e mangas levemente mais curtas. Gravata listrada e camisa branca, símbolos máximos do preppismo se desmontam graças à calça rosa pastel (tudo TH). E tudo combina com o sorriso do Evandro. Pura simpatia.



EAST VILLAGE: Um quezinho de college, mixado com a mais pura elegância britânica. Um pot-pourri que é a cara do bairro, um tanto excêntrico, mas essencialmente cool. Blazer, camisa, gravata e jeans, Polo Ralph lauren. Sapatos Paul Smith.



GREENWICH VILLAGE: Jaqueta jeans com toque vintage (Zadig & Voltaire), usada despretensiosamente com pólo (CP Company), sobre uma clássica gravata vermelha (Brooks Brothers) e com jeans seco, de barra virada (Dolce & Gabbana). Detalhe para o mocassim bicolor.



MIDTOWN: Olha o charme da cartela de cores desse look, todo em tons pastel. Tradicional, mas com toques certeiros, como o tênis baixinho de lona e a barra da calça virada. Blazer, camisa, gravata e calça, Hackett. Tênis, Le Coq Sportif



CHELSEA: Um perfume artsy, de acordo com um dos bairros mais legais de NY. reparem que a escolha do modelo é fundamental aqui. Se fosse um menino com cara de machão, mais velho (como muitas revistas adoram por aqui...) seria de uma caretice atroz. Mas o garotão aí, mais a simpatia da mistura de cores e padronagens, é só sucesso. Camisa e cardigã, Polo Ralph Lauren. Gravata, cinto e calça, Daniel Crémieux. Sapatos, Paul Smith.

Delícia de matéria.


enviada por Sylvain



21/07/2008 20:24

A mina da vez

Enquanto isso, o mundo fala de Lily Cole. A nova darling britânica parece que fisgou o Jude Law, virou sex-symbol e it-girl master. E quer saber? A Playboy francesa já fechou com ela para a capa de Novembro. Chato não? Ou você prefere a Natália do BBB? Por enquanto fique com a fofa na Arena.










enviada por Sylvain



21/07/2008 18:52

S2a




Não se tem falado de outra coisa nos últimos dias. É Surface to Air pra lá, Surface to Air pra cá, pelos mais diversos motivos. No sábado, teve motivo forte: o lançamento da linha-objeto-de-desejo-master do Justice, na loja da Lorena (as jaquetas são preciosas, mas já acabaram quase todas, corre!), junto com uma mini-coleção recém-chegada de Paris, que também já está com a grade bem desfalcada. À noite, festa das mais animadas no "clube secreto de Pinheiros" (melhor point de SP, disparado) para comemorar o aniversário de Karina Motta (cara-metade do manager da Surface Brasil, Sébastien Orth) e o da fotógrafa-dj Carol Nogueira (olha as fotos, do Alisson Louback, aqui). Uma das melhores festas do ano, fácil.



Para botar a cerejinha no sundae da grife e prolongar o talk of the town, eis que me deparo hoje com a muito simpática campanha de inverno 2008 que, de tão cool, me fez partilhar com vocês também a porção feminina. Fresh.





Ah! E dia 26 tem lançamento do livro do querido e talentoso Marcelo Gomes, fotógrafo-amigo e marido de Lelê Toniazzo. Se você gosta de belas imagens, sem rótulos e zero pretensão, marca na agenda. Onde? Nem vou responder.






enviada por Sylvain



16/07/2008 22:24

Vogue Hommes Japão estréia com Slimane




Deu no WWD: Hedi Slimane esteve esta semana no Japão fotografando a capa da primeira edição da Vogue Hommes Japão, prevista para sair no dia 10 de setembro. Mas o envolvimento dele com a publicação não pára por aí. Além de mais 20 páginas de editorial no interior da revista, Slimane tem status de Deus para o editor da Vogue Japão Kazuhiro Saito, que não mede palavras para explicar a importância do fotógrafo/estilista para o mundo da moda masculina. "Houve uma grande mudança na moda masculina desde que Hedi Slimane assumiu a Dior Homme, em 2000. Havia a moda antes de Hedi Slimane e a moda pós-Hedi Slimane", diz Saito. "Aquela estética skinny de seus meninos funciona muito para os homens japoneses".

Terminadas as fotos, Slimane deu uma de dj na festa organizada pela Dazed & Confused, no Tokyo Super Deluxe, clube modernex de lá. Dazed & Confused?? É, o editor de moda da revista inglesa, Nicola Formichetti, vai formar dupla com o hypado diretor de arte Markus Kiersztan, que já assinou trabalhos para Yohji, Nike e Uniqlo, para dirigir a moda da Vogue Hommes. Inicialmente prevista para sair duas vezes por ano, o plano é que a periodicidade aumente com o tempo.

O pulo do gato da nova dupla é o de ter uma revista de moda para homens feita por homens, ao contrário da versão italiana (dirigida por Franca Sozzani) e a francesa (por Carine Roitfeld). Vem coisa boa por aí. Faço gosto.

(Tô falando muito do Slimane? É, eu gosto dele. E ele rende assunto bom, convenhamos, né?)


enviada por Sylvain



15/07/2008 16:03

Iódice masculina é exemplo a ser seguido





O verão masculino da Iódice é uma grata surpresa no árido deserto que é a moda para homens no Brasil. Sem perder a noção comercial e sem desviar o foco da realidade do consumidor (que ainda prefere o arroz com feijão na hora de se vestir), Alexandre Iódice parece ter entendido como fazer para mostrar que, sim, dá para ser mais elegante sem abdicar de suas preferências. Gosta de bermuda e tricô? Estão lá o clássico modelo cargo e o pull básico, de tricô levinho e mangas longas, em cores neutras que não afugentam nem o mais careta dos homens. Ah, mas bermuda cargo? Qual a novidade? Acontece que a bermuda tem corte de alfaiataria, mais seco, com padronagem pied de poule, sem perder o ar confortável. Tricô de mangas longas no verão? Primeiro que Alexandre pensa como eu, mangas longas são sempre mas elegantes (lembram do que eu digo a respeito das camisas?). Segundo, que o tricô é muito fininho, leva 30% de linho em sua composição. Perfeito. Tem até écharpe de linho que, se não esquenta horrores (afinal, é verão), dá um charme louco à produção. Os tênis? Todos flats, de cores neutras como cáquis e brancos, de cano alto ou baixo. As camisas são lindas, feitas em tricoline encorpada, com shape mais ajustado e gola menorzinha, herança do Sr. Slimane (aliás, logo subo um post excelente - mais um! - sobre ele...). Elas ganham listras, flores tipo Liberty ou o eterno quadriculado tipo vichy. Tem também pólos muito simpáticas, listradas a la rugby ou estonadas para ficarem com falso ar vintage, que podem ser combinadas de forma muito cool com as bermudas em vichy marinho, bem charmosas, ou com as calças secas, afuniladas na medida certa. Mesmo o couro continua no verão, furadinho, no hoodie off-white. Paira na coleção um certo ar náutico, com um quê de tenista também, salpicado de golfe, quaaaase uma Lacoste new generation, sabe?

O que me deixou mais feliz foi bater um papo com Alexandre (não, a Galisteu não estava lá) e perceber sua mentalidade a respeito da moda que faz, no mercado para o qual ela é feita. Alexandre sabe, claro, das limitações que a cultura do brasileiro médio impõe, sempre reticente a qualquer mudança no seu guarda-roupa de bermudão, jeans reto, paletó quadrado e camisa folgada. As alterações que ele propõe são sutis, mas já fazem uma baita diferença. "Não estou pedindo para o homem abandonar seus conceitos e suas preferências. As peças clássicas estão aqui, mas trabalhadas de outra forma. O universo é o mesmo mas, se o brasileiro olhar mais para a direita, vai ver que aquela fórmula na qual ele sempre acreditou pode funcionar muito melhor com alguns pequenos ajustes", explica. E termina com a frase que deveria servir de mantra para estilistas, veículos de comunicação, stylists e afins: "Se nós, que temos acesso à informação não levarmos as mudanças e novidades até o consumidor, ele nunca vai entender, ficando preso na mesmice para todo o sempre". Aos poucos, com jeitinho e sabedoria, a gente chega lá.
enviada por Sylvain



11/07/2008 20:58

Perfume artístico




A Prada pode não ter feito um desfile inesquecível para mostrar sua coleção masculina de verão 2009, mas mandou muito bem na campanha do perfume Infusion d' Homme, lançada no after-show do dia 22 de junho. Num belo incentivo ao exercício da arte, dona Miuccia deu carta branca a um time de criativos do mundo inteiro para que mandassem roteiros de um curta-metragem onde a essência do homem Prada estivesse retratada. Depois de rigorosa seleção, 9 foram escolhidos e puderam filmar a idéia toda, cada um a sua maneira, com os recursos que bem entendessem. O resultado é delicioso.

Os nove vídeos são excelentes, viajam em todas as direções, fazem rir, emocionam e, o melhor de tudo, são fruto da mais pura imaginação dos donos da idéia. Conversei com o Guga Ketzer, sócio da agência de publicidade Loducca e único brasileiro escolhido para a final - sim! Tem brasileiro na parada! - e ele contou que o briefing da Miuccia era uma viagem nonsense, que era mesmo pra cada um interpretar do seu jeito. E deu no que deu. Gostosas pirações em nome de uma fragrância. Muito legal. Meus vídeos preferidos são o do Guga, claro, o da Coréia e o da França. Mas tem vários bons. Vai no site e escolhe o seu.

No youtube só tem o francês e o argentino, que posto aqui. Vale ver todos.


To Myself - França


Work in Progress - Argentina
enviada por Sylvain



10/07/2008 22:06

Pernas de fora



Ivan Aguilar

Usar bermuda na cidade continua sendo um belo de um tabu para muito homem, não é mesmo? Logo no Brasil que, além de ser um país tropical, é descontraído e - supostamente - aberto a novidades. Tendência em alta e que já vem há tempos sendo martelada nas principais passarelas masculinas mundo afora, a bermuda urbana - usada com paletó, jaqueta ou só de camisa - nunca teve tantas variantes como agora. Na temporada - de verão, aqui e lá - recém terminada, as propostas se multiplicaram, algumas mais acertadas e condizentes com a realidade, outras menos. Mas a gente fica com as que têm alguma chance de ganhar as ruas, claro.

A verdade é que o brasileiro adora uma bermuda, sim, mas desde que seja nas suas horas de folga, de preferência sentado numa cadeira à beira-mar, enquanto contempla as gostosas de biquíni que vão e vem à sua frente. Fora deste cenário, existe o receio permanente de parecer moleque, passar pouca credibilidade e destoar da massa, coisa que, digam o que quiserem, apavora a maioria dos machos, preocupados demais também com sua masculinidade ou com medo de não serem bem aceitos na turma de amigos. O mais engraçado é que se a gente mostra alguns looks de passarela que vão por este caminho, muita gente acha simpático, mas não sabe se encararia na vida real (eu me incluo nessa, tá?). Por puro pré-conceito, pouca segurança ou falta de (boa) informação.

A Biti fez um post bem legal sobre o assunto, pedindo a bofes reais que dessem opinião sobre 3 looks pinçados na temporada nacional desfilada mês passado. Na minha opinião, as fotos depõem contra, pois mesmo os exemplos brazucas de como usar a dupla bermuda e paletó/jaqueta não tendo sido dos melhores nesta estação, tinha coisa melhor (numa boa, tá, Biti?). Acho que com o look certo, a coisa muda de figura.


Lanvin


Louis Vuitton


Fendi


Junya Watanabe

E a NyMag fez uma materinha bacana a respeito também, provando que o assunto rende. É uma espécie de guia da bermuda certa, com dicas de complementos para o look. Resumidamente, é isso aqui ó (mas vai lá pra ver a original):

- Sobre o shape: Pense na bermuda exatamente como você pensa nas suas calças: se prefere calças baggy, use bermudas baggy. Se gosta das skinnies, bermuda sequinha então. Mas não se deixe seduzir pelos garotões tipo Abercrombie, que vestem aquelas bermudas gigantes, tipo loose-fit. Eles são modelos, malhados e de pernas musculosas. Se você não tiver o corpo deles, suas pernas vão parecer dois gambitos ridículos nesse tipo de bermuda.

- Sobre o comprimento: Se for do tipo inseguro, prefira modelos mais compridos, na altura do joelho ou cobrindo parte dele. Mais comprido que isto, vira uma calça Capri (ou corsário, argh!). E cuidado com o comprimento oposto, curto demais. Meio da coxa, jamais!

- Sobre a camisa certa: Os modelos de mangas longas e dobradas são os mais corretos. Eu acho que isso se aplica a qualquer combinação, mesmo com calça comprida. Camisa de mangas curtas, só em raras ocasiões.

- Sobre o calçado: Quando estiver de bermuda, uma boa pedida são aquelas botinhas tipo London Fog, de camurça, que estão voltando com tudo, sabe? Opinião do hypercool: tênis flats e sapatos tipo derbies podem ser muito elegantes também.

-No trabalho: Depende de onde você trabalha. Se for condizente com o perfil da empresa, arrisque. Mas, se isso for te transformar num estranho no ninho, melhor não. Pra quê, não é mesmo?

Será, hein?








enviada por Sylvain



07/07/2008 23:16

Les garçons de Paris




Os lycéens de classe média alta de Paris retomaram as rédeas do estilo entre os jovens franceses. Ao contrário das décadas de 80 e 90, onde a periferia ditava regra, impulsionada pelo tsunami hip-hop, estudantes entre quinze e dezoito anos andam esbanjando atitude e elegância nos arredores de áreas nobres da capital francesa, como Saint-Germain e o jardim de Luxembourg. O movimento já vem de algum tempo, mas agora está legitimado e registrado em imagens. E com a assinatura poderosa de Hedi Slimane (que deve render muito assunto ainda em 2008).



Circulando pelas redondezas supracitadas, Slimane fez seu casting particular, selecionou ótimos exemplos dessa nova elegância teen (ou adô, como se diz por lá) e realizou um ensaio cheio de atitude com os meninos. Depois dos "Luxembourgeois", a idéia é continuar com os ensaios, registrando outros grupos, pinçados em diferentes bairros de Paris, cada um com sua elegância própria.



No caso desta primeira experiência, dá para perceber uma certa influência rocker, meio british até, mas com uma sofisticação mais discreta, mais...mais....mais cool. É isso. Essa turma aqui se preocupa com os detalhes, sim, mas de uma maneira tão low, que parece tudo muito natural. Tem um certo ar blasé (senão não seriam parisienses, certo?) e desafiador típico dos adolescentes de hoje, que buscam suas referências de estilo diretamente na net, nos blogs ou nos sites de streetstyle. É ali que nascem e amadurecem os modismos ou tendencinhas das ruas, antes até de irem para certas passarelas e, mesclados ao caldeirão de influências musicais e das revistas de moda que chegam até os jovens, dá no que dá. Ah, se todo adolescente fosse assim.



Ano passado eu tive uma amostrinha dessa nova geração enquanto andava pelos corredores do Bon Marché. O melhor de tudo é que eles se interessam por moda! Ainda lembro de dois meninos fuçando nas araras da Miu Miu e de Paul Smith, displicentemente elegantes com seus paletós sequinhos e camisas bem cortadas. Chic.

(Selecionei algumas imagens, só dos meninos, mas as meninas vão pelo mesmo caminho...)




















enviada por Sylvain



03/07/2008 23:39

Casting de verdade

E a onda de "gente normal" que tomou conta das passarelas durante a temporada masculina internacional? Acho bem válido, quando o quesito elegância é mantido. Os senhores de Ann Demeulemeester são sensacionais, o amigo de Vivienne Westwood beira o grotesco, mas é engraçado. Veja abaixo quem mais apostou na "tendência":


Ann Demeulemeester


Etro


Yohji Yamamoto


Martin Margiela


Vivienne Westwood

E no Brasil:


João Pimenta




enviada por Sylvain



03/07/2008 23:26

Fala-se de:




Rumores dão conta de que a Dior estaria atrás de Hedi Slimane para tê-lo de volta em sua linha masculina. O boato diz ainda que Kris Van Assche, assim como foi com Slimane, estaria de saco cheio da visão exageradamente "de empresa", business, da maison, com toda a pressão que isso implica. Ao mesmo tempo, talvez eles estejam se dando conta de que o motivo pelo qual a grife era tão lucrativa sob a batuta de Slimane fosse o simples fato dele ser muito bom e não porque eles o mantinham na rédea curta. Hum...curioso pra saber se nisso tudo tem algum fundo de verdade. Seria bom tê-lo de volta à moda, já que a parceria dele com a Diesel não andou. Quem sabe ele mesmo não conta pra gente qualquer dia desses, né?




enviada por Sylvain



02/07/2008 19:52

Quentinhas




Reparou que a Eastpak vive se aliando a nomes fashion, no intuito de criar mais e melhores objetos de desejo na forma de bolsas e mochilas? Juliana Jabour, Vans, Eley Kishimoto e...Raf Simons, claro, são só alguns dos parceiros que toparam a empreitada. No caso de Simons, foi só sucesso (lembram dos mochilões no último desfile masculino?). Tanto que tem repeteco saindo do forno.









E dessa vez ainda mais cool. Eu tinha gostado médio das primeiras, mas aprovo totalmente essa nova leva. O melhor: não tem cara de mochila semi-adolescente como a maioria. Simons vem consolidando seu nome entre os mais interessantes estilistas de sua geração. Sua última coleção para a Jil Sander, desfilada em Milão, na semana passada, é genial. Gosto menos da sua coleção solo, mas é preciosismo meu, porque ele é bem bom sim. Bem que a nossa Eastpak podia fazer chegar por aqui essa linha, não?



Mais uma boa nova: a lúdica Tsumori Chisato começa a distribuir sua linha masculina para além do Oriente. Antes reservadas aos países asiáticos, principalmente o Japão - e vendidas unicamente nas butiques próprias -, suas peças para homens foram apresentadas pela primeira vez em Paris, em show-room, durante a semana de desfiles de verão 2009. Agora vão poder ser encontradas nas multimarcas francesas e gringas também. Isso inclui a Surface To Air, suponho. Karina e Séba, que tal trazer pra cá também, hein?

O masculino de Tsumori não é tão novo assim. Existe há mais de dez anos, mas estava guardado para poucos, por puro receio da japonesinha, que julgava que o mercado ainda não estava maduro para receber suas peças. "É um segmento complicado", declarou ao site francês FashionMag.
A coleção é relativamente simples, composta por peças de corte básico mas com uma graça aqui ou ali. Algumas camisetas, calças, agasalhos e pólos ganham detalhes usados também na coleção feminina, como um trabalho em trompe l' oeil que imita tinta escorrida também nas gravatas e na bolsa em couro (linda!). Menos colorida que a porção feminina, a bem vinda linha de menino da Tsumori é muito legal. Demorou.









enviada por Sylvain



01/07/2008 20:23

Paris Report

Dei uma abandonada no blog esses dias, eu sei. Motivos de trabalho maior, gente. Já até acabou a temporada parisiense de moda masculina, mas ainda dá pra comentar e fazer aquele rankingzinho dos meus cinco desfiles prediletos (e mais um) na Cidade Luz.



YVES ST.LAURENT: Melhor homenagem do que ter sua maison nas mãos de alguém competente e que só a enobrece não há. Monsieur St. Laurent deve estar olhando todo satisfeito lá de cima o belo trabalho que Stefano Pilati vem realizando à frente da YSL. Para o verão 2009 masculino, Pilati optou mais uma vez por mostrar a coleção em formato de vídeo (além, claro, das fotos de divulgação dos looks), trazendo para os anos 2000 toda a tradição da grife. E, fora da tela, a moda de Pilati é de um chic impressionante. É clássico e atual ao mesmo tempo. É elegante sem afetação e sem montação. É natural e não artificial, pronto. Acho que é isso. Minha imagem de elegância masculina, hoje em dia, tá quase toda nessa coleção. Aqui vai o link do filme pra quem ainda não viu.



LANVIN: Brincar com volumes numa coleção masculina não é pra qualquer um, e Lucas Ossendrijver conseguiu fazer isso de maneira muito suave e sem perder a elegância no verão da Lanvin. Assumindo o lugar da Prada no ato de questionar e repensar a moda masculina, soa quase como uma provocação de Lucas o shape de legging de algumas calças, repuxadas e nervuradas graças a tiras de elástico inseridas em sua estrutura. Idem para os paletós, de um e dois botões, desestruturados e amplos em alguns momentos, ajustados e curtinhos em outros. Uma cartela de cores certeira ajuda a fechar a conta de uma feliz (e nova) proposta de M-O-D-A (e não apenas do ato de vestir) para os homens de nossa época.



ANN DEMEULEMEESTER: Que bom que eu estou podendo colocar a Ann entre meus desfiles prediletos da temporada. Às vezes acho que não se fala muito dela, e é sempre (ou quase) tããão bom. Eu gosto dessa imagem sempre meio histórica que suas coleções têm (a feminina também), sempre com looks ricos em texturas e sobreposições, onde cada detalhe é pensado, sem se render a tendências efêmeras. Desta vez, a silhueta é ampla, desabada, elegantemente relax, como pede o momento atual da moda masculina (eu adoro). Tem as calças de pijama da estação, mas bem inseridas no contexto da coleção, inspirada no livro O Jogo das Contas de Vidro, do escritor alemão Hermann Hesse, tem deliciosos cardigans, listras, poás, muito preto (como sempre), tudo muito cool. E tem também um casting de senhores (Yohji e Etro também fizeram) bem elegantes para fechar o desfile.



JOHN GALLIANO: New Rave encontra o punk neste novo delírio gallianístico. Muita cor ácida, xadrez e combinações inusitadas, às vezes de difícil digestão, eu sei, mas é muito bem feito. Mais uma vez, tem de um tudo nos personagens do desfile: clubbers, ravers, guerrilheiros, heróis de mangá, e por aí vai...E tem que se esforçar pra limpar os looks e pinçar a peça que importa em cada um deles. Mas tem. Olha bem que tem. Puro Galliano. E a gente gosta.



LOUIS VUITTON: Já que é pra ser mais sóbrio, que seja com bons materiais, corte impecável, boas idéias e cartela de cores gostosa. Marc Jacobs acertou a mão no shape e apresentou a melhor opção para os homens mais tradicionais, com uma pitadinha de novo aqui e outro tanto de urbanidade ali. Tem calça mais ampla e tipo jogging, colete curtinho e paletós de um botão. Não me emociona, mas reconheço todos os méritos.



+1: GIVENCHY: Não gosto de tudo não, tem umas coisas bem ruins, aliás, mas quando é bom, é bem bom. Adoro os looks de bermuda de couro pregueada com legging por baixo, combinada com alfaiataria black-tie. Uma brincadeira de mundos opostos deliciosa. Vai para o trono.

Resuminho: paletós de um e dois botões, abotoamento duplo (parece que pegou), calças folgadas, tipo jogging e pijama, com pregas, cardigans e pinceladas de cores mais fortes. Meio que confirmou o que vimos em Milão, né? Agora é esperar pra ver o que confirma aqui e tentar aplicar isso tudo pra vida real. Eu acho que dá tranqüilo. É uma moda real, sem muitas piracões, num momento muito elegante da moda para homens. Eu tô adorando.






enviada por Sylvain



27/06/2008 21:07

Pode descansar em paz, YSL, Pilati garante

A coleção mais bacana do primeiro dia de desfiles masculinos em Paris é, sem dúvida, a de YSL por Stefano Pilati. Se serve de consolo aos mais saudosistas, o mestre não corre o menor risco de revirar no caixão, pois a moda da maison está em ótimas mãos. Os outros desfiles foram corretos, com algumas boas propostas na Louis Vuitton e na Number (N)ine (cheia de boas sobreposições, de novo), mas o verão 2009 da YSL é novo, é fresco e é chic.

Pilati optou mais uma vez por apresentar a coleção em formato de vídeo (na verdade, são sete mínivídeos em um só), com o ator Jack Huston, inglês, neto do diretor John Huston e sobrinho de Anjelica Huston. Bem legal. Os looks foram fotografados durante uma apresentação em formato de show-room, como na estação passada e são, muito, muito elegantes. É uma nova elegância, mais desmontada, onde os códigos do vestuário masculino são subvertidos, onde os shapes flertam com um clássico retrô ao mesmo tempo em que são muito novos. Até o jogging aparece, em leitura comfort-chic. Sem falar que Pilati usou materiais muito "femininos", como seda, gazar, organza e voil. O resultado, por incrível que pareça, é super masculino. Veja com seus próprios olhos.







Não subiram o vídeo no youtube ainda, mas aqui dá pra ver. Vale a pena.








enviada por Sylvain



26/06/2008 21:54

Black Fever?




A mais nova tendência da moda global são...os negros! Talvez por um inconsciente coletivo detonado pela iminente eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (se depender da torcida mundial, tá eleito)- que, por sua vez, pode ter acendido aquela velha chama adormecida nos ativistas raciais, que bradam o tempo inteiro a plenos pulmões contra uma suposta segregação no mundo da moda - ou talvez por puro oportunismo e/ou hipocrisia, o fato é que, subitamente, o mundo fashion parece ter caído de amores pelos negros.

Seja na Black Issue da Vogue Itália - publicada hoje, onde todos os editoriais (e a capa) foram clicados por Steven Meisel única e exclusivamente com modelos negros - ou na passarela da DSquared2 - cujo casting do desfile masculino de verão 2009, realizado esta semana em Milão, era composto em grande parte por modelos "de cor" -, nunca se viu tanto negro aparecendo ao mesmo tempo em vitrines tão relevantes dentro do mundo fashion.
Outra: A grife de P.Diddy, a Sean John, fez seu lookbook de inverno também só com modelos negros. Mais: Donatella Versace confirmou, num acesso de sinceridade, que escalou dois modelos negros para o show da Versace esta semana em homenagem a Obama.

A "homenagem" da DSquared é brochante. Inspirados na obra do fotógrafo Jemel Shabazz, que clicou gente como Malcolm X, Martin Luther King, Muhammad Ali e outros rappers, tudo o que fizeram foi passar para o negativo a estética de sauna gay em que apostam sempre. Pior: os looks são um amontoado de clichês, que caracterizam os pobres modelos como gangsters, rappers e esportistas.



Na Versace, a coisa é mais elegante e, não fosse a declaração de Donatella, passaria batido, já que os meninos são bonitos e poderiam naturalmente ter sido escolhidos apenas pela embalagem e profissionalismo. Mesmo caso da Gucci e da Etro, por exemplo.



Na Sean John, por mais que o pai da criança seja um African-American, soa também como artificial a opção por um casting inteirinho de negros para o lookbook de inverno 2008. Cadê os asiáticos, os ruivos banquelas ou os latinos bronzeados? O lance não é a tal diversidade na moda?






(Steven Meisel)

E a Vogue Itália, hein? O país não prima pelo melhor tratamento a imigrantes e por lá também rola o mesmo zunzunzum por causa da ausência de negros nas revistas e nas passarelas. Aquela coisa que a Folha faz a cada temporada, de comparar o número de brancos e blacks nas passarelas daqui, parece que acontece igual. Minha opinião é que tanto o Sr. Meisel quanto a Sra. Sozzani (Franca, editora da revista) souberam captar o zeitgeist atual e mandaram ver num golpe de marketing certeiro que, como era de se esperar, resultou em fotos lindíssimas.

Tenho uma certa preguiça dessa forçação de barra, de mostrar que se é politicamente (bem apropriado) correto, de ter que dar uma resposta à sociedade, fazendo uma bela média e transformando em "cotas" a participação dos negros no mundo fashion. É como se dissessem: "Olha, os negros têm direito a uma edição por ano todinha pra eles. No resto do ano a gente põe as russas e as belgas (e as brasileiras, né?) na capa, ok?" Ora, ponham quem for lindo e bom no que faz e ponto. Idem para as passarelas (daqui e de lá). A (o) modelo é bom? É bonito (a)? Anda bem? Tem a ver com a coleção? Então bóra bookar pro desfile, independente da cor, religião ou opção sexual. Sem essa de "vamos colocar porque é verão, porque estamos no Brasil e pega mal". Esses hypes momentâneos é que não podem acontecer. Acho válida a "descoberta" dos negros pela moda mundial, desde que não seja calcada em hipocrisia e oportunismo, como eu acho que vem acontecendo em certos casos.

Aqui tem um ótimo texto da Cathy Horyn sobre o assunto.




enviada por Sylvain



26/06/2008 13:57

Milan report



Burberry Prorsum

A primeira etapa da temporada internacional, com os desfiles para o verão 2009, já rolou em Milão. Próxima parada: Paris, que começa hoje e sempre reserva boas novas para quem gosta de moda masculina de verdade. O line-up é tipo dos sonhos. Só hoje tem: Gaspard Yurkevich, Vuitton, Number (N)ine, Gaultier, Yamamoto e Dries Van Noten. Tá bom, né? Em Milão também teve coisa beeeem boa. Escolhi os 5 desfiles dos quais eu mais gostei entre os mais importantes para tecer breves comentários a respeito.



BURBERRY PRORSUM: Sou cada vez mais fã de Christopher Bailey. É impressionante o que ele faz com a roupa da vida real, que está nas ruas e ao alcance da maioria dos homens (com uma boa conta bancária, lógico). O que se vê na passarela é tudo roupa de verdade, com materiais nobres, corte bom e boas idéias de styling. Pronto. Está criada uma das imagens de moda mais frescas do planeta. Hellooo! Será que é tão difícil de entender o que nós, homens, esperamos das grifes de moda masculina?



Desta vez a historinha do desfile se passa no jardim (inglês, claro) de Dungeness, de propriedade do artista e cineasta Derek Jarman por isso, a pegada, apesar de ser coleção de verão, é sóbria e coberta, bem outerwear.



Muito caban, trench e cardigan, em tons orgânicos como os dos jardim (dã) e sobrepostos de forma muito, mas muito cool. Reparem que alguns cardigans vêm mais amplos, mais compridos. Pelo menos em Milão, é shape recorrente nas coleções de verão. Algumas peças já vêm amassadas, outras ganham estampas de pingos de chuva (Bailey é inglês, de chuva e tempo úmido ele entende) e de espirros de lama, ou seja, a roupa vive, é real e tem alma. Fora a aula de casting.



Muito bom! De novo!



GUCCI: Ultimamente, as coleções masculinas de Frida Giannini têm me conquistado mais do que as femininas. E não é só pela predileção pessoal. Sinto que tem um frescor e uma falta de compromisso positiva que fazem com que as melhores idéias surjam nas passarelas dos meninos. A coleção de inverno já tinha sido boa, cheia de referências folks poderosas, mas esta consegue ser ainda melhor.



Muitas cores (olha elas aí), cardigans e misturas (elas também!) em clima de balneário tropical. Os paletós são de dois botões e tem degradê para eles também (tendencinha milanesa). Coleção fresquinha, para degustar tomando um Mojito.



JIL SANDER: Pausa no mais é mais da moda para homens para um momento de (falso) minimalismo by Raf Simons. Esse é outro que consegue se aprimorar a cada estação que passa. Fiel à um certo padrão estético que, de certa forma, limita um pouco o fator surpresa que nos faz correr para o computador a cada temporada, Simons consegue, à sua maneira, fazer um verão muito fresco, novo e cheio de cor.





Nenhuma grande novidade na silhueta, que continua slim, mas são brilhantes os paletós bi e tricolores, de mangas curtas ou não, fechados por zíperes ou não, combinados com calças de uma alfaiataria impecável. Mais cardigans e paletós de dois botões se encarregam de sinalizar as peças-chave da temporada.



ALEXANDER MCQUEEN: Este aqui conseguiu deixar elegantes e très chics os anos setenta, mantendo um certo glamour disco em looks feitos para privilegiar o corpo masculino, com shape certinho e boas sacadas opticals e geométricas.





Também aposta em degradês e achou um meio termo bom no casting: são homens, sem deixarem de ser meninos, deu pra entender? Classudo. Ah! E teve mulher desfilando também aqui, de novo, como acessórios. Rá. (brincadeirinha)



BOTTEGA VENETA: Eu sempre acho simpáticas as coleções da BV. Gosto da assinatura do Tomas Maier e acho que ele faz parte do time que consegue fazer moda com o trivial, com aquela roupa que cria desejo porque é boa de usar, sem afetação. Confesso que gostei mais do desfile anterior, mas esse é meio que uma continuação.



O universo é meio anos 40, 50. A silhueta Charlie Chaplin continua, o abotoamento duplo dos jaquetões também e, novidade da temporada milanesa, tem um quê de moda pijama. Sleepwear as outerwear, diria a Vogue. Listras de todo tipo em calças de inspiração pijamescas. Vale dar uma olhada na Dolce & Gabbana para entender melhor. (Não está entre meus desfiles prediletos, por isso não consta aqui).



+1 (plagiando o Alcino, na Folha): NEIL BARRETT: não dava nada por esse moço, mas sua silhueta seca, quase minimalista, salpicada de cores fortes e espertas misturas, me conquistou. Cardigans mais amplos (tem na Missoni também), calças mais curtas -como é comum no verão- e abotoamentos duplos. Tudo com perfuminho esportivo. Honra ao mérito.

Minhas decepções: Marni e Prada. Apesar de uma sempre correta alfaiataria, achei as duas insossas demais.
Resumindo: Muito cardigan, paletós de um, dois botões e abotoamento duplo, calças de listras tipo pijama, cores fortes (muitas!) e um perfume esportivo no ar. A silhueta é seca, mas sem exageros, com uma amplitude aqui e ali. Questa è Milano. Volto com Paris.


enviada por Sylvain



24/06/2008 18:54

Fim do SPFW. Lá vem a temporada gringa!




Uma noite finalmente bem dormida depois, cá estou eu para finalizar o assunto São Paulo Fashion Week, do ponto de vista de moda masculina e na tentativa de fazer um balanção do que vem por aí, de olho na temporada internacional que já está rolando em Milão.
Antes, pausa para comentar o simpático desfile da Reserva, ontem, que misturou dândis e Tim Maia para passar um recado otimista ao homem brasileiro: ponha mais cores em sua vida. Minha crítica para o lilianpacce.com.br:



"Na cabeça dos meninos da Reserva, a distância entre a lisergia desmedida de Tim Maia e o dandismo oriental e, sobretudo, o inglês, é bem curta. Ambos os universos tinham em comum a transgressão, um pela atitude, outro com seus códigos vanguardistas no vestir. No fundo, o clima dos dândis originais era bem austero. Na praia da grife carioca, não tem essa de menos é mais. A proposta de Rony Meisler, Fernando Sigal e Diogo Mariani é justamente oposta: a hora é do mais é mais na moda masculina. E no Brasil, o dândi tem sobrenome: Da Silva. Como a designer Vanessa da Silva, radicada em Londres, que assina a principal estampa da coleção, uma releitura psicodélica e multicolorida do pássaro que é símbolo da grife.



Cores fortes também tingem os simpáticos cardigãs ( ótimo o de listras coloridas, com perfume Paul Smith ) que já vão virando marca dos meninos from Rio, agora feitos em tricô inteligente, que leva fio de aço e tem “memória”. As bermudas e calças alternam o shape sequinho com o confortável saruel da estação, lisas em cinza ou xadrezes utilitárias. A alfaiataria ainda precisa de ajustes na modelagem – como no costume cinza de debrum limão -, enquanto os cache-coeurs e as calças em moletom folgado remetem ao dandismo oriental, mas são a cara dos meninos do Rio. E do Brasil inteiro, se Deus quiser. Homens: Não precisa usar tudo que for flúor ao mesmo tempo. Experimentem uma coisa de cada vez e ponham mais cor em suas vidas. Faz bem pra alma e pode ser muito elegante. Welcome to São Paulo, Reserva."



Coleção fresca, que traz o novo sem perder a identidade. É disso que o homem brasileiro precisa para abandonar os triviais cinza, marrom, cáquis e afins. Aliás, a mensagem de Rony Meisler é direta: "Queremos ver o homem ousar mais na hora de se vestir". Ok, recado recebido em alto e bom som. Mãos à obra!

O saldo do SPFW para os homens -assim como de maneira geral- é positivo. Pondo de lado alguns equívocos como os da Rosa Chá e de Miguel Vieira, que privilegiam uma estética antiga e cafona meio gay, meio jet-setter (nada contra, só não é elegante) e o caso perdido de Mario Queiroz (surpreenda-me, Mario, supreenda-me), boas novas nos esperam no verão. Reserva, V.Rom -que precisa tomar cuidado para não virar refém de sua (boa) fórmula de crash de estampas-, Vide Bula, Osklen e Alexandre Herchcovitch parece que vão entendendo, de vez, as transformações do homem brasileiro. A Vide Bula, ok, foi super comercial, mas fez algo muito simpático com o arroz e feijão que a maioria de nós encontra nos shoppings Brasil afora, o que já é bacana. A imagem da Osklen é muito nova, desabada, requer mais esforço para uma boa assimilação, mas é tudo de bom. Já o Alê, se redime das duas coleções meio chochas que apresentou antes desta e anuncia, em desfile poderoso, cheio de ricos bordados, um verão rubro-negro para quem tiver alma de guerrilheiro pacífico.

Peças-chave: Cardigans (agora em cores menos ortodoxas), coletes (ainda), jaquetas militares, calças ou bermudas saruel e/ou com pegada utilitária, qualquer coisa em xadrez e qualquer coisa em branco. A lavagem dos jeans é clarinha, quase branca e, pra quem quiser arriscar um pouco mais, tem macacão pra todo lado. Muito mix de estampas e padronagens, tênis flats e até pregas nas calças, desde que seja num modelo de shape cenoura. Ponha um óculos modelo aviador no rosto e bom verão.

No próximo post, o assunto ainda serão as passarelas, só que as internacionais, que já estão fervendo com as coleções para o verão 2009 (deles).


enviada por Sylvain



23/06/2008 18:23

Desisto do Mario Queiroz




Juro que, a cada estação, eu entro na sala do desfile de Mario Queiroz com a maior boa vontade mas, quando acaba, é sempre a mesma sensação: não tem jeito, ele não vai acertar, é caso quase perdido. Por absoluta falta de tempo por conta da correria na Bienal, vou colar aqui minha crítica feita para o site de Lilian Pacce. Dá pra entender meu ponto de vista, espero.

"A leitura do release, que anuncia a inspiração geométrica de Mario Queiroz, deixa apreensivo. Apostar na obra do artista plástico venezuelano Jesus Rafael Soto, considerado o pai da Optical Art, como fio condutor da coleção de verão cheira a armadilha. A moda masculina elegeu o mix de estampas como tendência da hora, fazendo com que cada estilista trate de adaptar isto ao seu universo de trabalho se quiser parecer trendy. No caso de Mario Queiroz, o exercício –que pode parecer brincadeira de criança, mas exige certa noção de proporção e estilo- derrapa justamente na hora da (des)combinação das linhas entre si, transformando o que poderia ser divertido e elegante em pura poluição visual. Explico: As estampas optical poderiam funcionar se combinadas com outras diferentes, evitando o total look que, repetido à exaustão durante o desfile, deixa no homem idealizado pelo estilista uma imagem de TV fora do ar.



Outro problema: O shape dos paletós e blazers continua quadrado, quando, no geral, a moda masculina classe A e B –e é essa que se espera há tempos de Mario Queiroz- já absorveu a silhueta ajustada, rente ao corpo. Os looks de blazer, colete e shortinho xadrezes, por exemplo, poderiam ter sido simpáticos se o corte fosse outro. Entre brilhos, listras e transparências, o estilista se sai melhor quando aposta em looks monocromáticos, como a combinação de camisa de tricoline e short cinza e o elegante look final em total white de Alex Schultz."




enviada por Sylvain



22/06/2008 14:55

Sobrou pra nós o bagaço da laranja...




Amir Slama decidiu desfilar sua poderosa moda praia feminina apenas na semana de moda de Nova York, dando seqüência ao projeto cada vez mais bem sucedido de internacionalização da Rosa Chá. Para contentar o público brasileiro (e, claro, para expandir seus tentáculos além das areias tradicionais), resolveu lançar uma linha só para os homens e, melhor, estrear diante de nossos olhos em pleno São Paulo Fashion Week. Bom, não? Depende do ponto de vista.



Para um blog focado em moda masculina, era natural que uma expectativa fosse criada, movida pela oportunidade de presenciar ao vivo o nascimento, em desfile solo, da porção masculina de uma grande marca brasileira de beachwear, anunciado com pompa e expectativa pela imprensa afora. Mas nada poderia ser mais triste do que constatar o fiasco que foi a apresentação em si, calcada numa imagem antiga e de mau gosto, onde elegância e novidade passaram bem longe.
Vamos por partes: o que era o casting? Tirando dois ou três meninos o restante bem podia estar num concurso de halterofilismo -teve até o imortal Paulo Zulu!. Ou sacudindo os braços em movimento helicóptero em alguma dessas boates giga, focadas no público gay e onde a (péssima) música se resume à bateção de cabelo. Some-se a isto a constrangedora semelhança entre o show da Rosa Chá e os da grife milanesa DSquared2, que também adora um go-go boy. A desnecessária cena da ducha na abertura pode ter causado furor entre uma desavisada porção feminina (e, claro, a gay) da platéia, mas para a parte interessada em moda e não em apelação, foi deprimente.
"Fico tão deprimido quando vejo que essa imagem é associada à elegância masculina". As palavras do stylist Paulo Martinez resumem bem como se sentiu qualquer homem com o mínimo de noção em moda masculina depois do desfile. Me dá até tristeza continuar com esse assunto aqui, por isso vou copiar e colar minha crítica do desfile publicada no lilianpacce.com.br. Enquanto NY se delicia com um ótimo exemplo do quão criativa pode ser nossa moda praia, sobrou pra nós brasileiros um esboço do que NÃO se deve fazer se quiser ser elegante a beira-mar.



"Amir Slama olha para a arte contemporânea brasileira de Vik Muniz e Gonçalo Ivo e realiza finalmente o primeiro desfile de moda praia totalmente masculino da Rosa Chá. E a coisa começa quente, com os gritos da platéia ouriçada pela chuveirada pós-banho de mar de Rodrigo Rothen que, de bumbum de fora, anuncia o caminho escolhido pela grife para uma estréia cheia de testosterona.



Os comprimentos das bermudas, shorts e, sobretudo, das sungas, remetem aos anos 70, perdendo tamanho e ganhando ares por vezes exageradamente sexies, beirando o vulgar. O casting que privilegia garotos bombados também não ajuda, pois não há camiseta de algodão com frases de manifesto, sunga-tanga com cintinho, microshort five pockets e camisa de tricoline estampada que fique elegante num shape de halterofilista.



Posto isto, há que se destacar os pontos positivos da coleção que, se não traz nenhum oásis neste deserto que é a moda praia para homens, pelo menos acerta em algumas peças-chave, como as calças folgadas ultilitárias e as skinnies coloridas. Ué, mas não é desfile de moda praia? Nesta areia, os meninos podem ficar sossegados: os bermudões e as sungas mais largas, as de verdade, têm lugar garantido. E as meninas também, pois a Rosa Chá também botou na passarela seu time de angels: Isabeli Fontana, Michele Alves, Carol Ribeiro e Raica Oliveira ganharam looks mais comportados do que os deles, mas mesmo assim conseguiram ser mais elegantes."



Quanto ao nosso primo lusitano Miguel Vieira, ok, reconheço que o cara gosta de um excesso, beirando o cafona na maior parte do tempo, mas podem falar o que quiserem, o shape de sua alfaiataria é bem bom, sim. Calças secas e paletós ajustados vestem seus jet-setters como uma luva e, quando não derrapa no over-gold (o mocassim em tressê dourado é surreal), não faz feio não para aqueles que vivem pulando de festa em festa. Sobretudo as black-tie. Eu sou bem chato com esse lance de corte da alfaiataria e tem muita gente por aqui que ainda não aprendeu, portanto, méritos para Miguel.




enviada por Sylvain



20/06/2008 23:41

O futuro é aqui e agora



Look do bloco células

Ok, não foi um desfile exclusivamente masculino, mas foi tããão legal, que eu não podia deixar de postar algo a respeito. Tô falando do show (e aqui, acredite, esse é o termo exato)do coletivo carioca OESTUDIO (assim mesmo, tudo junto e em maiúscula), pessoal bem moderno, que junta moda, design e video em propostas dignas de primeiro mundo.
O futuro é agora para esta intrépida trupe, que arma espetáculo sci-fi para apresentar a coleção de verão 2009 desenhada por Anne Gaul e sua equipe. Dispostos em uma arquibancada em formato de cinema, assistimos a um show tão cativante de efeitos visuais que quase nos esquecemos de olhar para as roupas, divididas em cinco blocos, cada um com sua estampa característica. Tem vídeo conceitual (e promocional) do coletivo, luz negra, paredes divisórias coloridas de acordo com cada família de roupas, música virtual, enfim, muita informação, mas também muita coesão. A sincronia entre a trilha e tudo o que acontece em volta, por exemplo, é espantosa. O som, eletrônico, é feito ao vivo por uma banda de Wii -o videogame ultramegaplus da Nintendo-, que toca instrumentos virtuais e troca de música à medida em que os blocos avançam e revelam um streetwear esperto, cheio de shapes folgados e mix de estampas.


A turma junto dos tocadores de Wii

A tecnologia fica mesmo para o visual, porque nas roupas, pasme, só algodão e fibras naturais. Os vestidos amplos e curtos, repuxados, pregueados e coloridos das meninas e as calças de gancho baixo com camisetas deles vão mudando de estampa a cada bloco – células e flores pixeladas são alguns dos desenhos temáticos desdobrados – e são combinados com lindos tênis de cano alto- must have total! .


Look do bloco institucional, que buscava definir a palavra saudade


Mochila de LCD nas costas!

É tudo tão moderno e fascinante, que poderia estar acontecendo em Tóquio, Berlin ou Nova York. Mas pode ter certeza de que, sim, essa odisséia toda acontece num espaço bem brasileiro, coisa que a palavra saudade explorada em um dos blocos e o samba virtual do fim do desfile tratam de deixar bem claro. Mór legal!


Look do bloco flores pixeladas: tem estampa floral até no cyberespaço


Último bloco do desfile, onde o debrum das roupas acendia graças a um....guarda-chuva equipado com luz negra!

PS: Sei que não é o foco aqui, mas eu PRECISO comentar o primor que foi o desfile do Reinaldo Lourenço hoje de manhã. Sem dúvida o melhor da temporada e arrisco a dizer: um dos mais lindos da carreira dele. Leia mais a respeito nos endereços especializados do blogroll ao lado.


enviada por Sylvain



19/06/2008 23:47

Guerra tá na moda, sabia?



Pois é, a estética bélica e seus códigos indumentários invadiram o nosso mundinho (ou mundão?) fashion, principalmente o masculino -se bem que o que tem de guerreiras urbanas, amazonas e afins nas coleções femininas não tá no gibi. Lembram de Galliano na estação passada? E a V.Rom que usou a mesma imagem logo em seguida? Pois bem, desta vez foi a vez de Alexandre Herchcovitch dar a sua interpretação de como este universo tão carregado de conotações negativas pode ser super usável e criar imagens de moda muito fortes.



Antes que alguém ache um absurdo a moda fazer apologia à qualquer tipo de conflito, vamos deixar claro que a intenção do Alê foi fazer um alerta, fazendo uso de todo seu savoir-faire para protestar pela liberdade, pelo amor e pela igualdade de direitos (esse trecho eu li no release, mas é isso mesmo...). E deu certo.
Sua coleção de verão é forte, muito viril, pra macho de personalidade. Sim, porque precisa mesmo de muita para sair vestido com um hoodie vermelho coberto de vidrilhos que formam uma imagem folclórica de Bangladesh, o país mais pobre do mundo. Este foi o ponto alto do exagero, mas não precisa se assustar: a coleção é bem usável, sim.



Muito macacão (uniforme de guerra perfeito) e calça folgada com gancho baixo, uma camisaria maquinetada impecável, estampa de camuflagem sobreposta a outra de listras em bermudas e paletós, e as peças bordadas com desenhos do Leste europeu (meio folclóricos, étnicos, inspirados nas vestes locais) que são um primor. Lindos os tênis iate bicolores -tem muito preto e vermelho na coleção- e preciosos os óculos feitos de bambu. Em suma: Clap, clap, clap.



Teve homem desfilando moda praia na Blue Man mas,o que dá pra citar, além do blablabla do sungão e bermudão de sempre, são os tons em degradê, lindos e suaves, que vão dar mais charme aos nossos dias de verão passados, se tudo correr bem, em alguma praia linda do Nordeste.
À demain!




enviada por Sylvain



19/06/2008 02:05

Viagem street




Nem vou procurar assunto nos demais desfiles de hoje, pois no segundo dia de SPFW, moda masculina foi sinônimo de V.Rom. Até teve umas idéias simpáticas na Ellus, logo de manhã - bem bom o desfile -, uns básicos OKs na Uma - bem fraco esse, por sinal -, mas nada que valha o frescor de idéias e a técnica apurada de Igor de Barros. Em mais uma coleção cheia das misturas que já vão virando marca registrada de seu trabalho - com o tempo pode ficar repetitivo, mas por enquanto vale e muito - , Igor (com a ajuda providencial do styling de David Pollak, dessa vez muito preciso) destrinchou o filme "Viagem a Darjeeling", de Wes Anderson, para contar a divertida e muito elegante jornada do homem ocidental pelo Oriente.



O verão da V.Rom vai ser muito florido, com perfume de incenso oriental, um pouco de vichy aqui, outro tanto de estampas de cashmere ali, que se juntam a outros elementos típicos da Índia – país onde se passa o enredo do filme de Anderson – para ambientar a jornada do homem ocidental rumo ao Oriente. Estão lá as referências animais como a pele de vaca - sagrada! - na mochilona e na ótima carteira combinada com look preto bem sequinho, além de delicados broches de madeira em forma de elefante, meio de transporte muito comum na terra de Ghandi.



A cartela de cores acompanha os tons das paisagens indianas e ganha suaves tons pastéis, colorindo boas bermudas de gancho folgado e até uma muito bem cortada linha de alfaiataria, feliz novidade que apareceu na forma de jaquetas militares - tendência forte -, paletós e coletes. Uma profusão de flores de todos os tamanhos estampa peças muito frescas feitas em seda e algodão, às vezes até em total look. As calças são irresistíveis, de shape cenoura, aquela mais folgada no quadril e justa nas pernas. Sempre muito relax, afinal “homem gosta mesmo é de roupa confortável”, já dizia Igor no backstage.



O menino mais tímido da moda brasileira acerta a mão mais uma vez com sua fórmula vencedora que alia conforto a uma espertíssima mistura de estampas e padronagens, sempre com pegada utilitária e esportiva, pero sin perder la elegáncia jamás. Puro streetwear 2000.




enviada por Sylvain



18/06/2008 02:21

SPFW, dia 1: Na rua, na chuva, na fazenda.

Primeiro dia de São Paulo Fashion Week e minhas expectativas em relação a um bom começo para os homens foram superadas. Sabia que tinha muitas chances de gostar da Osklen. Gostei. Achei que a 2nd Floor poderia ser simpática. Foi. Só não contava com o baile feminino do Marcelo Sommer, para a Do Estilista (dois homens só, Marcelo? Melhor nem pôr, né?), mas tudo bem, foi lindo de se ver. Se bem que eu acho que esse desfile merece uma discussão mais ampla sobre a relação entre comercial e visual. Achei tudo lindo, muito bem feito, mas sinto falta de roupa. Pensa bem: qual é a coleção de verão 2009 da Do Estilista? Sou um comprador, e aí? Compro o look da enfermeira ou o da chefe de cozinha? O cara tá no maior evento de moda da América Latina (business, hello!) e faz um desfile de fantasias? Pra quem? E ele já adiantou que nada vai ser produzido, so, whatafuck? Que fique bem claro: eu adoro o Marcelo e acho primoroso o trabalho que ele realizou hoje, só não entendi. Concordo que a moda precisa de respiros como esse, só estou tentando entender a relevância de fazer isto no SPFW! Enfim, parênteses Do Estilista feito. Voltemos à moda masculina.



Achei ótimo o evento abrir com o desfile da Osklen, assim a gente já começa animado. Como em todo verão brasileiro o que não falta é chuva, Oskar Metsavaht se inspirou nela para criar mais uma de suas elegantes coleções, sempre com aquele ar cool sem esforço que ele (e nós todos) tanto gosta (mos), manja? Lindos os tricôs metalizados e as peças em cinza com respingos de dourado. Não gosto de algumas espadrilles (a famosa Alpargatas, aquela de lona, sim, bem retrô) plastificadas nos pés e acho que o desfile podia ser mais enxuto. No fim, saldo positivo, claro. Abaixo, mais dois looks de que eu gosto muito (as calças são irresistíveis).





A 2nd. Floor é uma delícia. Rita Wainer viajou e misturou tudo - bom o styling da Lelê Toniazzo -, numa coleção acertadamente comercial - vai tudo pra loja! - com a pegada jovem e street que já é assinatura da filha da Ellus. O tema eram as viagens mesmo: da África ao sítio, da Inglaterra ao México, passando pelo Peru e por Nova York.



Os meninos da 2nd. Floor são vaidosos e não abrem mão da gravata por baixo dos paletós sequinhos, enquanto abusam do mix de estampas (coqueluche), juntando as listras do maxicardigan com as flores das camisas. Tudo bem confortável e divertido, cheio de pecinhas pra ter assim que forem pras araras da loja. Seja pra desfilar em Tókio ou na fazenda do amigo em Goiás (pra isso tem os looks safari!). Amanhã tem mais.





(Fotos: Charles Naseh/Chic)


enviada por Sylvain



14/06/2008 19:20

Acabou o Fashion Rio. E os homens se deram bem!




Fim de papo. As apostas cariocas para o verão foram lançadas. Muitos incensos serão acesos pelas meninas - mergulhadas num setentismo sem fim - e muitas estampas e padronagens serão misturadas no que diz respeito aos homens. O último dia nos reservou boas novas, já que demos a volta por cima e emplacamos três (um recorde para padrões nacionais) desfiles de qualidade acima da média e ainda terminamos a semana com o acessório de luxo da temporada: as meninas. Rá!



Explico: A força da coleção masculina da Redley - que fechou o evento com disputadíssimo desfile ontem à noite - é tão grande, que as garotas se tiveram que se juntar às boas mochilas em lona PET (ecologicamente correta) como coadjuvantes da história toda. Calcada no esporte e em seus elementos, a linha tem highlights como os cardigans fininhos de zíper e bolso canguru, as bermudas sequinhas e confortáveis e as jaquetas coloridas que são puro desejo consumista.



Adoro a cartela de cores, sóbria, onde mesmo tons como o verde bandeira e o azul vêm lavados antes de acender mais para o final da apresentação.Muito chics os looks total khakis. Tudo muito certinho, impecavelmente bem-acabado, com ares de roupa gringa. Talvez por causa da mão germânica do diretor de criação da grife, o Jüergen Oeltjenbruns. Enfim, coisa de gente grande. Mesmo.



No extremo oposto da engrenagem - e talvez, por isso mesmo, mais gostoso até de se ver - está James Cesari, paulista, que foi parar no Rio Moda Hype e mostra que tem potencial para voar mais alto. Focado no streetwear, seu desfile mostrou boas idéias e um nível de acabamento surpreendente para quem está engatinhando.



Gosto muito dos camuflados em patchwork e de alguns macaquinhos. Resta saber se alguém encara na vida real. As bermudas de cavalo baixo são bem boas e as regatas funcionam melhor nas ruas se sobrepostas a t-shirts lisas. Pode ficar divertido. Evite usá-las como no desfile por aí, mesmo que você tenha o corpo do David Beckham, ok?



Onde estava este menino, que precisou ir até o Rio para ganhar atenção? Alô Casa de Criadores! Aliás, uma voltinha pelo evento carioca de novos talentos com certeza traria muitas inspirações ao seu equivalente paulista. Tudo funciona. As grifes têm - em sua grande maioria - verdadeiro potencial, cada uma com seu stylist - competente - e com desfiles curtos e objetivos. Outro nome super talentoso que se apresentou por lá e que passou despercebido por aqui é o da japinha Fernanda Yamamoto,. Olho nesse pessoal.



E no meio destes opostos está Ivan Aguilar. O capixaba dá um salto de qualidade nos materiais e, calcado em sua técnica apurada de alfaiate, acerta a silhueta e proporção de seus meninos. Ivan vai se firmando como excelente opção para aqueles homens já saídos da adolescência, mas que não vivem enfiados em escritórios, limitados, em todos os sentidos, a uma moda bem burocrática.



Sua coleção é fresca e cool, com cartela de cores deliciosa – ótimos os tons sorbet misturados aos xadrezes; très chics os brancos com azuis do final - e um perfume street bem diluído ao longo do desfile, em meio a uma alfaiataria muito da correta. Estampas e bordados desenvolvidos por comunidades carentes de Vitória e grafiteiros de rua dão colorido artsy a camisetonas e cintos, combinados com bermudas sequinhas – a clientela de Ivan agradece o fim dos shortinhos. Objeto de desejo imediato: as camisas com patchwork de estampas de flores tipo Liberty, elegantes e comerciais na medida certa. Ah! Não liguem pros looks total verde pistache ou amarelo gema. Eles foram montados assim para o desfile, para passar a mensagem da cartela de cores. Claro que você não precisa sair por aí parecendo uma arara, tem que desmembrar mesmo, mas acho que, a essa altura, a maioria de vocês já sabe que é assim que funciona a edição de um desfile, né?



That's all from Rio. Acho que na medida do possível, os homens se deram bem. Está dada a partida para o fuzuê da SPFW. E se a semana passada foi corrida, tremo só de pensar o que será da próxima. Por isso, dêem um desconto se faltar algum post por aqui até o dia 23, tá?




enviada por Sylvain



13/06/2008 11:48

Luta livre, xamanismo e (re)mix de estampas




Finzinho de Fashion Rio e a moda masculina dá sinais de vida graças aos desfiles, ontem, da novata R.Groove (dentro do Rio Moda Hype), da Chiaro e da Sandpiper. Em geral, são propostas desencanadas, de uma moda real e fácil de usar, bem coisa de homem mesmo. Tem, claro, uns arroubos de ousadia, aqui e ali, mas a boa notícia é que tem roupa bacana pra ser usada no próximo verão.



A R. Groove, como toda marca jovem, se permite brincar e inventar mais - às vezes passa do ponto -, sem muita preocupação comercial, mas mesmo assim não perde o foco street com boas peças inspiradas na Lucha Libre mexicana. O telecatch cucaracho é um esporte muito popular e um meio de ascensão social para jovens da periferia mexicana, um pouco como o nosso futebol. Todas as cores dos uniformes usados em combate (fake ou não) estiveram presentes na passarela de Rique Gonçalves, camuflando boas idéias como o colete e a jaqueta perfecto. Tem potencial, mas precisa se livrar da coisa da fantasia - que é típico dos mais novos - e entender que está num evento cuja maior fonte de renda é justamente o evento ao lado, que se chama Fashion...Business.



A dupla Gustavo Machado e Marianna Malafaia diz que se inspirou no universo xamânico para criar uma coleção atemporal para a Chiaro, no primeiro desfile exclusivamente masculino deste Fashion Rio. Na verdade, tudo não passa de pretexto para uma bem sacada linha de roupas, calcada em uma silhueta confortável conseguida com tecidos orgânicos que, se não
reinventa a roda no quesito moda para meninos, tem o mérito de fazer as peças que eles gostam de usar, injetando um quezinho mais fashion entre uma calça utilitária e outra.



Ousadia esta que pode ser a combinação de confortáveis túnicas em linho e algodão com um singelo short pink; ou ainda uma estampa floral coloridona decorando uma calça de modelagem mais afunilada. E que tal outra calça feita de um patchwork de estampas que mais lembram tecido de decoração? Homens, podem acreditar: funciona. O toque macho-antenado fica por conta dos Nike Dunks nos pés, um arremate street que combina bem com os espertos hoodies que já vão virando marca registrada da grife.



A Sandpiper pôs de novo o Paulo Zulu na passarela (já deu, né?) mas não conseguiu estragar a simpática imagem que criou para seus garotos. Mais uma a apostar no mix de estampas e padronagens aqui no Fashion Rio, a grife inventou para si mesma uma inspiração sixties, que nada mais era do que um motivo para misturar bolas e estampas geométricas de tudo quanto é forma, sem perder o jeitão de menino do Rio ixxpéérrto que é sua maior assinatura.



Um climão navy - tendência - cheio de boas bermudas, camisas e ótimos lenços para o pescoço. Tudo (des)combinando na mais perfeita (des)harmonia. Mas, cuidado: é uma proposta relativamente jovem - a opção shortinho não funcionou muito bem no Zulu, por exemplo - por isso requer um certo cuidado na hora de montar o look. Hoje tem mais moda masculina: Ivan Aguilar deve fechar o evento em grande estilo. Té depois.


O mix it up ficou esquisito no Zulu
enviada por Sylvain



11/06/2008 13:04

Moda masculina no RJ? Cadê?

Ok, ok. Eu sei, já estamos no quinto dia de Fashion Rio e eu sumi, larguei vocês na mão, sem meus tão prometidos posts from Rio. Minha desculpa é clichê, mas verdadeira: correria insana, internet que falha e, principalmente, falta de moda masculina! Do meu post anterior pra cá, só uma, uminha grife pôs meninos na passarela: a TNG. E nem teve muita mulher de biquíni: só a Salinas, por enquanto, distraiu nossa atenção com algo além de moda para meninos. Claro que eu tô exagerando. Ando de olho nas coleções femininas também, por conta do profissional e também do pessoal (como diria o Faustão), afinal, repito, homem que gosta de moda, no fundo, se interessa por tudo.



Voltando à TNG, fiquei surpreso com o que vi. Sem romper barreiras com uma moda sensacional, a grife de jeanswear não fez feio ao apostar num simpático verão totalmente navy (antigo, mas funciona), inspirado pelas décadas de 20 e 50 (segundo Tito Bessa, o dono) mas com uma pitada de 80 (by Regina Guerreiro, consultora da marca).



Gosto das listras de todo tipo - combinadas com branco ficam chics -, mas me incomoda MUITO o shape quadrado dos paletós (até quando, meudeusdocéu?). Não é possível que alguém ache elegante usar um paletó que parece estar sempre um número acima do seu. E esse é o maior problema do homem brasileiro, inclusive segundo Alexandre Herchcovitch (que entrevistei para uma matéria recentemente). Portanto, que tal as grifes começarem a dar opções mais alinhadas a seus clientes?


Paletó do Bob Esponja e papo inacreditável na calça: vai aonde assim?

Em suma, houve uma clara evolução com relação ao inverno, com a ajuda de uma mão mais controlada no styling - bons os chapéus, gravatas fininhas e suspensórios -, mas ainda falta chão para que se possa considerar isso tudo sinônimo de boa moda masculina. Fora que para estragar toda e qualquer boa impressão, o desfile termina com uma desagradável guerra de travesseiros, que cuspiram penas para tudo quanto é lado, deixando platéia e sala de desfiles com cara de galinheiro. Idéia de jerico.

Hoje deve ter menino desfilando no desfile da Cantão, e até o fim da semana tem a Chiaro, Ivan Aguilar e a Redley, que devem elevar um pouco o nível geral dos homens. Volto assim que der (tomara que eu consiga mais tarde) para contar, tá?


Maria Rita em momento backstage

Ah! E ontem fomos (eu, Maria Prataporter, Jeff "RGVogue" Ares, Carol "Womanandwomanandwoman" Nogueira e amiga) ver o show da Maria Rita, no Vivo Rio, para a gravação do DVD Samba Meu, dirigido pelo Hugo Prata, primo da Maria (a Prata, não a Rita, dã). Com figurino by Fause Haten, a moça animou bem e a gente se divertiu pencas. Perfeito pra desligar um pouco do fashionismo. Até mais tarde.


enviada por Sylvain



09/06/2008 02:17

Fashion Rio, dia 2: Início morno para os homens

Segundo dia de Fashion Rio e necas de moda masculina para ser comentado por este blogger que vos escreve. Quer dizer, quase. Teve o lisergismo setentista da Totem que, se não trouxe grandes arroubos de criatividade, pelo menos fez uma graça com algumas peças até que simpáticas.

Calma, antes de analisarmos (?) os poucos looks para meninos do evento até agora, vale dizer que o dia hoje começou com um exótico tour pela linda Baía de Guanabara - ô cidade abençoada, viu... -, a bordo do Pink Fleet, barco do empresário carioca Eike Batista - que, dizem, seria o novo "dono" do evento. Muito samba, gente animada, mirrados canapés e um certo balanço do mar depois, atracamos de volta na Marina da Glória para, enfim, começarmos o dia fashionista.

Espichei o olho nos desfiles femininos também, afinal, tem cobertura minha no site da chefa Lilian Pacce (ainda em soft opening, só dá pra entrar com senha por enquanto mas, quando começar o SPFW, semana que vem, você confere tudo de uma vez). Não vou me estender sobre eles aqui (vai no Prataporter, bem mais completo, sob o olhar de quem mais entende), mas achei divertida a brincadeira cucaracha da Thais Losso com o mexicanismo de Bete (ou Betty?), a feia, cheia de misturas e sobreposições, e o bem-vindo frescor da Sta. Ephigênia. Sem seu fiel escudeiro Marco Maia, falecido no ano passado, o estilista Luciano Canale segurou a mão pesada de outras estações e acertou em cheio nas cores dos românticos looks de inspiração francesa. Bom, mas como o assunto por aqui é mesmo o universo masculino, vamos ao que a Totem pôde nos oferecer para o próximo verão.



Em meio a uma viagem meio bicho-grilo, com direito a manjadíssima trilha by Caetano Veloso (Alegria, Alegria é das músicas mais chatas da humanidade), até que algumas boas peças salvaram um início meio bobo, comercial, como era de se esperar, bem insosso. Gosto da saruel amarela e do look meio andrógino que se seguiu, assim como a boa túnica com efeito ombré colorida, combinada com shortinho tipo jogging de estampa clássica da grife.



Um pontapé meio devagar para os meninos, mas tá tudo só começando. Vamos torcer. Depois ainda teve o Walter Rodrigues. Ponto para as meninas. Volto amanhã, talvez com algo mais relevante para todos nós.




enviada por Sylvain



06/06/2008 14:01

Rio we go!





A temporada nem bem começou e eu já estou sem tempo, na maior correria, acertando os últimos detalhes de figurino para o GNT Fashion (Lilian e Mariana) e organizando a vida, que vai virar do avesso nas próximas semanas. Peço desculpas pelo semi-abandono do blog nestes últimos dias, portanto. Ele será devidamente alimentado a partir deste fim-de-semana com o que de mais relevante acontecer no Fashion Rio (e, depois, no SPFW) masculinamente falando. Vai ter cobertura minha no Estadão e no site da chefa, que ganha lançamento oficial no primeiro dia de Bienal. Espero vocês lá, hein?!

Adorei a repercussão dos posts que abordaram a polêmica nudez na campanha de Tom Ford. Alguns comentários concordando comigo, outros discordando, tudo na maior democracia. É assim mesmo. Mas ontem fiquei feliz ao encontrar o mestre Paulo Martinez (num jantar que, pra mim foi um fiasco, mas não vamos entrar no mérito da questão) e ouvir dele a mesma opinião que a minha em relação ao tema. Ufa! Se ele também não gostou, é sinal que tinha caroço no angu mesmo.

Fui ontem na multimarcas masculina Babel (conhece? Fica na Pça. Benedito Calixto, em Pinheiros. tem que ir!) para ver de perto as roupas tão celebradas da Redley, que lançou sua linha Premium exclusivamente na loja. Vale a pena. É roupa boa, com informação, mas muito comercial ao mesmo tempo. Me apaixonei por uma jaqueta dupla-face, mas não tinha meu número, droga!

E olha só esses relógios da marca Tokyoflash. Diretamente do pulso da turma de Matrix. Sci-fi total!




















enviada por Sylvain



03/06/2008 19:15

Pornô e poesia

Olha só, gente: ainda com relação à campanha pornô (chic?) do Tom Ford, queria só dar mais um pitaco, depois de ter lido seus tão valiosos comentários, que respeito todos: Eu não gostei das fotos, e explico o porquê. Não se trata de falso moralismo não, quem me conhece sabe que eu gosto bem da coisa e sou super a favor da malícia em determinado tipo de fotografia. E minhas raízes européias devem ter ajudado a não ter nenhum tabu em relação ao tema. Mas, graças a algum deus ou à vida, meu olho busca sempre a sutileza no lugar da apelação, a elegância em detrimento da vulgaridade, em qualquer terreno: do Carnaval ao cinema, da pintura à foto de moda (amo a Playboy francesa e abomino a brasileira, por exemplo). E eu acho a campanha do Sr, Ford um monumento ao mau-gosto, onde a nudez deixa de ser algo belo e poético para virar algo gratuito e sem sentido. E, hello, não é um editorial, trata-se de publicidade! O mundo acredita tanto no personagem que Ford criou para si mesmo (será um sinal de seu talento enrustido para o cinema, área em que planeja seu próximo ataque?), o de texano sexy, classudo e polêmico, que ele, espertamente, resolveu levar isso às últimas conseqüências da falta de gosto. Reparem que seus anúncios vêm numa crescente de vulgaridade sem limites, sinal, pra mim, de que marketing e imagem na carreira de Tom Ford são mesmo tudo. Suas roupas de qualidade e corte impecável, ficam em segundo plano. Qual será o próximo passo? Um pornô hardcore explícito? Tudo isso pra vender roupa? Sou mais pegar um DVD da Planet Sex e assistir ao verdadeiro. Enfim, too much ado about nothing. Cada um com sua visão, mas alguém aí fala do Sr. Ford por causa das roupas dele, que é o que realmente interessa?

Pra mudar o tom do post e continuar dividindo com vocês minhas descobertas hypercool em matéria de moda masculina, fiquem com as fotos (lindas!) da campanha de estréia da grife Conference of Birds, que tira seu nome de um poema escrito na Pérsia no século 15. A poesia narra o encontro de um grupo de pássaros em busca de uma luz divina. O estilista Andrew Holden assina a grife e mixa bem um certo corte de alfaiate inglês com um perfume de daywear americano. Bem legal. E muito mais chic do que o pornoFord.














Via Hintmag (fonte inesgotável de boas novidades). As fotos são do Ryan Michael Kelly e o modelo é o Shaun Haugh. Enjoy.














enviada por Sylvain



02/06/2008 20:13

Uncensored: Nova Campanha de Tom Ford

Foram reveladas as fotos da nova campanha do ídolo dos poderosos Tom Ford, aquela com o modelo brasileiro Alex Schultz peladão.







Agora eu pergunto: Precisa?






enviada por Sylvain



02/06/2008 19:32

YSL e a vida em preto e branco




Parece que o João Pimenta (que todo mundo amou e eu não consigo engolir) teve razão em inserir um look nada a ver no meio de seus jogadores de beisebol, em seu desfile de verão na Casa de Criadores. Eu interpretei - veja post abaixo - como uma homenagem ao homem elegante de Yves Saint-Laurent e foi o look que mais gostei na coleção. E não é que amanhecemos a segunda-feira com a triste notícia de que o inventor da Saharienne e do smoking feminino se apagou, aos 71 anos, depois de infinitos serviços prestados à moda mundial? Ele já andava meio doente e tinha se aposentado em 2002, deixando uma lacuna impreenchível no terreno da elegância e dando início a um sem-número de homenagens (veladas ou explícitas) em coleções mundo afora.

Fico mal quando nomes geniais, sejam eles de que área for, se vão. O mundo fica mais triste e mais banal; preto e branco como a foto aí de cima. É uma perda como a de Ayrton Senna para o automobilismo, a de Elvis Presley ou Frank Sinatra para a música (aliás, o mundo musical não deve tardar a perder mais um talento: alguém viu a Amy Winehouse no Fantástico ontem? Afff...) ou o mito do teatro Paulo Autran, por exemplo.
Repose en paix, M. Saint-Laurent. Et encore merci.

Pra manter o clima noir et blanc da foto de YSL (e da segunda-feira melancólica), olha que lindo esse editorial que saiu no Hintmag, fotografado pelo alemão Anja Frers. Quando eu digo que moda masculina não precisa ser catálogo de roupa para escritório...





















enviada por Sylvain



30/05/2008 14:06

Casa de Criadores: Ser ou não ser (comercial)?



Verão 08/09 da Der Metropol

Engraçado perceber que, num evento dito de vanguarda como a Casa de Criadores, o que salta aos olhos em termos de acertos na moda masculina sejam justamente as grifes que apostaram desavergonhadamente no comercial. ADD no primeiro dia e os Labs da Der Metropol, ontem, investiram em fórmulas simpáticas -pouco inovadoras, é bem verdade- e despretensiosas, que muitas vezes fazem mais sentido do que a experimentação pura e simples que não vai a lugar algum.

Nada é por acaso. Faisal Makhoul, apesar de estar num evento de jovens, tem anos de estrada e já entendeu que, com a roupa que faz, é muito mais honesto desfilar o comercial bonitinho que vai estar na loja -com styling certo e edição idem- do que pirar na batatinha apenas pra justificar a presença no caldeirão de modernidade do Frei Caneca. Os números das respectivas grifes não mentem.


Der Metropol

Mesma coisa para a Der Metropol, que ainda se permite exercícios mais rebuscados dentro de sua proposta de básico-com-informação que oferece aos meninos. Adorei os patchworks e o casting escolhido pela dupla Luciana Campos e Mario Francisco. Outra vez, não é à toa. Luciana trabalha na Maria Garcia e na Huis Clos, enquanto Mario passou pelo ateliê de Mareu Nitschke antes de virar professor no Senac.


Mais Der Metropol

Daí vocês vão me perguntar: mas esses nomes não estão no lugar errado, já que a Casa de Criadores é lugar para exercitar a criatividade, buscar conceito e dar espaço a quem não tem nada disso? Sim. Concordo. Mas também acho que a presença de nomes como a ADD e a Der Metropol (que, na próxima edição do evento com certeza não será mais Lab) é extremamente útil para os outros estiistas, que precisam entender que não basta arrumar o tecido mais vagabundo da paróquia e torcer, plissar e preguear o dito cujo. Moda é toda uma engrenagem, business, não é só imagem. Claro que a gente cobra diferente de quem está começando, não tem estrutura e nem grana, mas tem nomes que estão aí há séculos e que não saem do lugar. A junção de comercial com conceito é o cenário ideal, claro, mas difícil de ser atingido. E se estes novos nomes não assimilarem isto o quanto antes, serão inevitavelmente tragados pelo buraco negro do esquecimento fashion.

Ah! Contrariando a maioria, eu -de novo- não gostei do João Pimenta, sorry. Cai na mesma armadilha dos outros. Faz moda pra que homem mesmo? Pra metade da sala de desfiles do Frei Caneca? Se a ambição dele é esta, tudo certo. Mas, num país como o nosso, onde a luta para abrir a cabeça do homem com relação à moda é muito árdua, apostar no tipo de roupa em que Pimenta insiste em apostar só me deixa ver uma frágil chama no fim do túnel. Pra não dizer que sou azedo e que odiei tudo o que ele desfilou, pincei um look que achei bem bom (apesar de meio deslocado) no meio de seus jogadores de beisebol: Não sei se era homenagem a Yves Saint-Laurent, mas me lembrou muito a imagem clássica de homem chique do francês.








enviada por Sylvain



29/05/2008 20:12

Mais um adeus masculino





Outra grife européia vai abandonar as roupas para homem. Seguindo a trilha da Miu Miu, que anunciou recentemente que suspenderá a produção de sua linha masculina, lá se vai mais uma opção para os homens que gostam de se vestir bem. Pelos mesmos motivos -leia-se pouco retorno e fraco custo-benefício para a maison-, a Rykiel Homme deixará de ser produzida no final deste ano. A linha representa apenas 5% do lucro total do grupo Sonia Rykiel e não valia mais a pena investir e sustentar as lojas por tão pouco. A coleção de verão 2009 está pronta, será desflada em Julho normalmente. Quer dizer, quase, né, porque vai ser um climão de despedida brabo. Pena.


enviada por Sylvain



29/05/2008 18:57

ADD it

Eu não fui ontem no primeiro dia de desfiles da Casa de Criadores mas, dando uma passeada pelas imagens e comentários por aí, deu pra sacar que o centro das atenções para nós, do sexo masculino, foi a coleção beduína street da ADD (Attention Deaf Disorder), desenvolvida pelo Faisal Makhoul. Walérios Araújos à parte (absurdo como sempre, mas eu deixo pra outras mídias analisarem; nada pessoal e altamente compreensível, né?), tava na hora mesmo de um desfile de moda masculina ser atração da noite num evento de jovens talentos. Sim, porque, por mais que eu respeite e entenda a comoção que a última coleção do João Pimenta causou, juro que não me pegou tanto assim. Gosto bem mais do frescor vida real da ADD, com casting bom, além do styling leve e simpático da Renatinha Correa (fizemos Melissa juntos há poucos dias e posso atestar que ela é muito boa sim). Como não vi in loco, me contento em dividir com vocês as imagens que eu gosto mais. Pode apostar na grife para o verão. Tiro certo.












Muito legal.




enviada por Sylvain



28/05/2008 21:51

Elegância transviada




Olhem bem para a foto acima. Sim, trata-se de James Dean, vestido para a cena inicial de Vidas Amargas (East of Eden), primeiro dos três filmes de sua curta carreira. O ano era 1955 mas, com esse figurino, bem que o galã rebelde poderia estar em qualquer editorial realizado em 2008, não? Atentem para o tricô sequinho de gola V, deixando saltar o colarinho aberto da camisa e a calça de alfaiataria SEM PREGAS (ao contrário do convencional para a época) que -detalhe muito cool- tinha um duplo cinto removivel, feito do mesmo tecido. Ah, essa calça...



Assinado por Anna Hill Johnstone (que, anos mais tarde, ganharia o Oscar com O Poderoso Chefão), o figurino do filme não envelheceu e, por incrível que pareça, está mais atual do que nunca. Basicamente em tons lavados de bege, cinza e azul-claro, o look de Dean voltou a ser pauta por conta da reedição da bendita calça, pelas mãos do estilista americano Michael Bastian. Bastian usou algodão com toque aveludado e reproduziu os cintinhos removíveis também na versão 2008, disponível na Bergdorf Goodman, com certeza bem mais em conta do que a peça-mãe. A versão original foi arrematada por US$ 15,535 por um comprador desconhecido em leilão realizado em 2006 quando do fechamento da James Dean Gallery, em Indiana, estado natal do astro.

Se for analisar, o figurino dos filmes e da vida real mudava pouco para Dean. E era relativamente básico, isto é, eram looks que hoje poderiam ser montados na Gap, ou na Zara, ou na H&M...O pulo do gato era sua elegância natural, sem esforço, típica daquele homem que está bem num jeans com camiseta (outro uniforme (banal?) do moço e dos fifties) ou alinhado numa alfaiataria bem cortada. Tudo o que o homem de hoje precisa ser. Alguns já nascem com o dom, outros tem que lapidar, mas pra tudo tem um jeito, não é mesmo? Ou não.

A propósito: sabiam que James Dean escondia uma faceta de pintor até que interessante? Olha aí embaixo algumas de suas "obras".






Ouh-là-là!




enviada por Sylvain



27/05/2008 22:03

Tô aqui!




Ufa! Maior correria de trabalho esses dias e quem sofre é este blog aqui, que fica meio abandonado. Mas cá estou -entre editoriais, catálogos e, sempre, o GNT Fashion-, meio esbaforido, para dividir com vocês a página de abertura da minha primeira matéria na Quem (tks, Denise!). O tema era o lance da elegância presente no eterno jogo entre masculino e feminino da moda. Fiquei bem feliz com o resultado. A Sheila Baum funcionou super com as roupas de menino e a fotografia do Cristiano é deslumbrante. Primeiro editorial PB da revista! Quer ver mais? Corre pra banca nesta quarta e confere.

Depois dessa já rolou outra matéria para a Quem, fotografada ontem, num estúdio de gravação musical lá no Campo Belo, em São Paulo. Por que estúdio de música? Porque os modelos masculinos eram integrantes de uma banda promissora, a Udora, e cheios de estilo natural. Não foi difícil deixá-los elegantes com os looks montados a base de muita mistura de estampas, cores e padronagens. No meio deles, a modelo Gracie Winck, roqueira-chic que deu o glamour que faltava à turma. Ansioso para ver impresso.

Pra fechar esse pit stop bloguístico, olha que legal essa idéia feita para quem cuida bem de seu carro e quer protegê-lo do sereno com muito estilo: Capas assinadas por grandes nomes da moda mundial que cobrem e dão graça a qualquer calhambeque. Muito bom!


Adam Kimmel, EUA


Bless, Alemanha


Ksubi, Australia


Maison Martin Margiela, França


Richard James, Londres


Visvim, Japão


enviada por Sylvain



23/05/2008 15:13

Compre djá!

A Colette arrumou uma nova maneira de vender seus produtos exclusivos, antes encontrados exclusivamente no e-shop da loja (ou, claro, na própria loja para quem pode estar in loco). Há dois meses, a boutique se lançou na TV por internet e bolou um programa de vendas baseado naquelas tosquices tipo shop tour ou shop tv que infestam a TV convencional. Cheia de humor, uma dupla de apresentadores (devidamente vestida com peças encontradas na Colette) enaltece alguns produtos escolhidos nas prateleiras da loja. Detalhe: são sempre itens que também estão no e-shop, ou seja, se sentir vontade de comprar depois de ver a Colette Shopping TV, basta correr para o site e detonar o cartão de crédito. Divertido.





O terceiro episódio da Colette Shopping TV






enviada por Sylvain



22/05/2008 17:55

Fique de olho neste pessoal









Mais dicas de marcas hypercool a serem descobertas. De Manhattan Downtown, apresento-lhes Telfar, estilista saído diretamente do underground para as páginas nobres de publicações como o NY Times, Timeout e Metropop. Tem um pé no clubbing dos anos 90, assegurado pela porção DJ que assume em certas festas fechadas, mas tem seu público. Eu acho meio datado, mas divertido.









E do outro lado do planeta, lá na terra do sol nascente, o nome a se prestar atenção é a D Line, de Tass Standard que, com propostas bem urbanas e foco numa camisaria muito bem feita, surge como promessa japonesa para o bom-gosto nosso de cada dia. Adorei.


enviada por Sylvain



22/05/2008 17:23

Chloë para eles





A gata-musa-atriz-estilista Chloë Sevigny decidiu mesmo olhar para os homens na hora de criar suas tão hypadas linhas de vestuário. Depois da sua parceria com a Uniqlo, que rendeu looks muito dos simpáticos, a vez agora é de fazer o mesmo nos domínios da Opening Ceremony, com quem Chloë conduziu uma bem-sucedida parceria há bem pouco tempo. "Eu sempre quis fazer algo pelos meninos e, além disso, muitas das minhas amigas prefere vestir-se com roupas masculinas", declarou ao Style.com. "Acho que o que elas gostam mesmo nas roupas para homens é do caimento mais folgado, e não pretendo mudar isso", enfatizou, ao explicar que as versões femininas das roupas não sofrerão mudanças na modelagem; elas apenas virão em tamanhos menores. Promete.
enviada por Sylvain



21/05/2008 11:07

A elegância do Santoro





Post mínimo, só pra elogiar a elegância de Rodrigo Santoro em Cannes, durante o festival anual de cinema. Camisa sequinha com cardigan aberto por cima, e o charme das mangas dobradas displicentemente em conjunto. Calça seca e relógio bom para arrematar. Até o cabelo está bom. Eu que sempre impliquei com ele neste quesito, sou obrigado a me render: os ares gringos estão fazendo muito bem a Rodrigo. Très chic!
enviada por Sylvain



19/05/2008 23:19

Alguns momentos com Tom Ford




Fazia alguns dias que a fashionlândia paulistana andava ouriçada por conta da presença do estilista-galã Tom Ford por estas bandas, vindo diretamente de seu luxury world para inaugurar sua primeira loja na América do Sul. E justamente na Daslu, versão nacional de seu bunker novaiorquino. Pois bem, coisa feita. A esta hora alguns ainda estão aproveitando seus momentos ao lado de Tom, em jantar private no Fasano, super condizente com seu universo de luxo para poucos e bons. Estive lá na loja para o coquetel de lançamento e também por conta da entrevista dada por ele ao GNT Fashion, e fiquei mais impressionado pelo efeito que o Sr. Ford causa nas pessoas do que pelo personagem e pela loja em si. Um verdadeiro frenesi generalizado deu seqüência a toda a ansiedade de dias atrás, com assessores ensandecidos (e beirando a grosseria), que se misturavam a pessoas impecavelmente montadas, como se estivessem na presença de algum membro da realeza britânica a quem deviam obrigatoriamente uma reverência protocolar.

A loja é linda sim, muito chic e masculina, em tons sóbrios de cinza e preto, reproduzindo o clima de seu endereço em NY (até 2010 serão 100 lojas, informa sua assessora!!!), mas um pouco clássica demais pro meu gosto.

Em entrevista a Lilian Pacce para o (meu, o seu, o nosso) GNT Fashion, Tom Ford se mostrou relaxado, simpático e deu respostas boas. A melhor foi aquela em que perguntado sobre o que fazia de um homem alguém elegante, ele assume uma falsa modéstia que, sim, demonstra no mínimo algum senso de humor: "A elegância de um homem nada tem a ver com a roupa que faço. Passa pelo gestual, pela maneira de falar e tratar as pessoas". Ok, eu vou acreditar.

Que ele tem talento e carisma, é inegável. Ford vem construindo uma imagem sólida a base de muito marketing e, óbvio, produtos de alta qualidade (apesar de alguns deslizes over nos looks dos modelos que desfilavam engomados pela loja). Seu lugar no pódio do segmento luxo para eles está assegurado. Muito graças a uma fundamental participação de seu companheiro de longa data, Richard Buckley (ex-editor da Vogue Hommes) que, discreto, acompanhava meio de lado o zunzunzum na Daslu com a elegância de um guru. Buckley foi o responsável pela contratação de Ford pela Gucci, quando a grife italiana estava no limbo e, além de companheiro de vida, virou anjo da guarda do bonitão. Apelidado carinhosamente de Zagallo pela Giovanna, querida produtora do GNT Fashion, esse sim, tem todo meu respeito.


enviada por Sylvain



16/05/2008 20:48

Ecologicamente engraçado

E já que a mania das shopping bags (ou ecobags) parece que pegou mesmo (por aqui, ainda não, né?), por que não acrescentar uma pitadinha de humor nesse movimento que se leva tão a sério?
Foi a idéia que teve a engajada novaiorquina Adrienne Alice. Ativista ambiental, ela pegou carona no hit verde da designer inglesa Anya Hindmarch, criadora das célebres bolsas com a frase "I'm not a plastic bag" estampadas na lateral. Cheia de humor, Adrienne adaptou a frase e deu uma graça a mais às tão sem-graça bolsas de algodão orgânico que o mundo resolveu adotar em prol de uma vida mais longa para o nosso planeta. Olha o resultado:

















Custam de 10 a 11.50 Dólares (sem frete) e dá pra comprar aqui. Pena que algumas já esgotaram.


enviada por Sylvain



16/05/2008 20:33

Perfume para os olhos




A Dior lançou um concurso de fotografias para celebrar os vinte anos do perfume masculino Fahrenheit, clássico-master da maison, sob o título "Expresse sua visão de uma viagem imaginária". Os participantes têm até o dia 29 de Junho para fazer a inscrição via net e os internautas podem votar nos seus fotógrafos preferidos.
Quatro temas estão lá para serem escolhidos e desenvolvidos: A viagem imaginária, os grandes espaços, o poder dos elementos e o homem infinito. Todos eles têm ligação com a imagem trabalhada nas campanhas do perfume lançado em 1988. Os dez fotógrafos mais votados pelo público vão ganhar....perfumes. Um júri formado por profissionais do mundo da imagem e dos perfumes vai decidir quem leva uma Leica M8, jóia rara das câmeras digitais profissionais e prêmio máximo do concurso. Gostou? Tem o dom da fotografia? Vai lá no site e se inscreve. Boa sorte!


enviada por Sylvain



15/05/2008 20:50

Conceito Nike

Depois de ter pulverizado seus produtos em N linhas diferentes durante os últimos anos, a Nike resolveu unificar sua identidade, juntando categorias como a Nike White e a Sport Culture sob um mesmo guarda-chuva, que vem a ser a Nike Sportswear, por sua vez, a sexta das principais categorias da grife do Swoosh (deu pra entender as ramificações?).
Apresentada em Pequim alguns dias atrás para um seleto time de convidados trazido dos quatro cantos do mundo, a Nike Sportswear -que só será lançada em Agosto, pra pegar carona nos Jogos Olímpicos- vai estrear com uma celebração à história da empresa, reeditando oito ícones, repaginados para o século 21.







Entre eles estará uma linha de camisetas aparentemente clássica e banal, a NSW, mas que, além da nova cartela de cores, vai ter todo um sistema de secagem rápida, a la Dry Fit. Novos modelos de tênis Dunks (coqueluche do momento) vão ganhar efeito trompe l' oeil recobertos com o desenho de uma tela feito a laser, enquanto uma família muito legal de agasalhos virá com detalhes coloridos e transparentes. Must have!


Frame de um dos vídeos da campanha

Para a campanha, toda feita em vídeos, foi convocado o conceitual diretor Robert Wilson, conhecido por seu trabalho outsider e por ter colaborado com gente graúda como Philip Glass, William Borroughs, Tom Waits e David Byrne. São cinco vídeos, mostrando, cada um à sua maneira, os novos produtos da linha Sportswear. Gosto mais de uns, menos de outros, mas a linguagem é bem legal por se tratar da Nike. É o esporte flertado cada vez mais com moda e arte e cada vez menos com performance.

Os vídeos que gosto mais:





Aqui dá pra ver todos.






enviada por Sylvain



13/05/2008 22:09

Proteja-se! Eles estão chegando!

E que tal essa parafernália fashion pronta para resistir com muito estilo a qualquer ataque terrorista vindo dos amigos de Bin Laden ou até mesmo do Sr. Bush em busca de armas químicas? O designer holandês Tim Smit resolveu pôr a criatividade pra funcionar pensando naqueles que não abandonam a moda mesmo em situações extremas.



Em caso de algum conflito perto de você, vista rapidamente seu USS e coloque a máscara de gás. Pronto, você já estará preparado para o pior. O que é USS? Bem, é a sigla para Urban Security Suit, ou traje de segurança urbana, feito com neoprene de última geração e moldado no corpo graças ao kevlar, fibra sintética muito leve e resistente que resiste ao calor sete vezes mais que o aço.

Se o inimigo resistir e você precisar mesmo partir para o ataque, no problema, o Sr. Smit pensou nisso também: Escolha a arma (e a grife) que melhor lhe convém e acabe com os malditos.











Ok. Batalha vencida e inimigo terrorista capturado. Agora ele já pode fazer um último pedido, enquanto marcha para a cadeira elétrica deluxe da sua base militar:



Cada uma viu...
enviada por Sylvain



12/05/2008 22:46

Legado preppy



Vira e mexe, a estética preppy entra e sai de moda com a velocidade de uma estação, ora ditando regra numa coleção inteira, ora pontuando simpaticamente peças de tino comercial, destinadas a alavancar vendas de propostas nem sempre acertadas. O fato é que, sendo essencialmente clássicos, itens ditos preppy habitam, de uma forma ou de outra, a maioria dos closets masculinos espalhados pelo mundo.

Quem não tem sua pólo Lacoste (hoje usada estilosamente com a gola levantada), ou quem nunca usou um mocassim tipo Topsider, ou ainda uma calça khaki de bolso faca, ícones-mor do casualwear almofadinha? Pois bem, a gente sabe que hoje em dia estas peças deixaram de ser coisa de nerd caretão para virarem estrelas de qualquer kit elegante do homem moderno (se você não consegue usar todo eles, não tema, é normal e você não está out por isso, ok?). Um bom termômetro do nível de preppismo da moda masculina atual é o surgimento de marcas como a sueca Our Legacy, que não só adotou o estilo para o verão europeu 08, como fez dele seu leitmotiv, definindo a cara e a identidade que a grife deve ter enquanto existir.

Misturando o mais clássico estilo British de se vestir (Paul Smith e sua eterna escola....) com elementos-chave do prep norte-americano, a Our Legacy definiu assim sua nova coleção: "Uma mistura do guarda-roupa de um típico gentleman inglês, usada em dias intermináveis nos estúdios de artistas e nas noites sedutoras de Paris". Traduzindo: espere encontrar muitas camisas em algodão Oxford, blazers bem cortados, agasalhos de corte slim, espertos tricôs e, claro, a incontournable calça khaki. Questão de pura elegância. Ah! Passa no site e olha o lookbook...muito bonitinho. O básico que enobrece (meio slogan de anúncio de whisky, ou de cigarro, não? Mas é real, vai lá que você entende).
enviada por Sylvain



09/05/2008 20:08

Punk is not dead




O lendário clube CBGB, berço da cena punk novaiorquina, fechou em outubro de 2006, mas muito estilo continua pulsando por lá. É que, desde o dia 17 de abril, no lugar do finado e barulhento inferninho está funcionando a nova loja do estilista John Varvatos, novo xodó dos fashionistas ianques.



O CBGB (Country, Blue Grass and Blues) foi aberto em 1973, por Hilly Kristal, e desempenhou papel fundamental nos primórdios do punk americano com os shows organizados para bandas do calibre de Ramones, Talking Heads, Blondie e Television. Com o acúmulo de problemas financeiros e com a justiça, o clube fechou as portas no dia 15 de outubro de 2006, mas teve despedida em grande estilo com show memorável de Patti Smith. O endereço da rua Bowery permanceu desocupado até a chegada de Varvatos.



O estilista preservou o clima do lugar, cobrindo as paredes com posters e todo tipo de grafites. Em declaração ao New York Post, Varvatos declarou ter vontade de "mesclar música, moda e história, transformando este lugar em um espaço cultural" pronto para receber shows e exposições. Seu fascínio pelo lugar vem, segundo o próprio, de seu amor por bandas como New York Dolls e Led Zeppelin. Excelente iniciativa. O Sr. Varvatos ganhou uns pontinhos a mais comigo. Vida longa.


enviada por Sylvain



08/05/2008 20:55

Pra provar....





....que a vida é mesmo um jardim bem florido: Novos modelos de Nike Dunk lançados na Opening Ceremony, em NY. Todos com florzinhas tipo Liberty. Uma coisa.








enviada por Sylvain



08/05/2008 19:34

Flores everywhere




A GQ Style inglesa confirmou o momento flores para homens em sua nova edição, com um ensaio um tanto duvidoso, na minha modesta opinião. Acompanhando um artigo que incita os homens a assumirem seu lado Jeff Leatham (que andou por aqui esses dias, enfeitando o shopping Iguatemi e reforçando o assunto da hora), as fotos mostram algumas opções de como incorporar pétalas de todo tipo na moda masculina atual, da proposta mais clássica à mais casual, passando por fashionismos extremos.



A primeira coisa que questiono é a escolha do modelo. Nas fotos coloridas principalmente, ele está beirando o cafona de uma tal maneira, que dá um pouco de dó. Muito make, cabelo errado e uma atitude antiga. As fotos em PB são um pouco melhores, mas passam raspando. Até gosto da moda, mas ficaria muito melhor se mostrada de outra forma. Nem com toda a cultura européia dá pra achar normal um mau-gosto desses. Depois não querem que homem ache flor coisa de boiola. E não é mesmo.



Cada um tem que saber como incorporar as flores em seu dia-a-dia: na roupa, decorando a casa, dando de presente (a outro homem, inclusive), colando adesivos....vai de cada um. Flor is cool. Eu gosto, sempre. Do meu jeito, mas gosto. E logo nós, latinos, que temos tantas ligações com pétalas, cores e seus significados, por que não assumir? Um estudo norte-americano revelou que homens que recebem flores tendem a viver melhor consigo mesmo e em interação social, sabiam?


O top florista Jeff Leatham em ação no Iguatemi (esse tbém tem um pezinho no cafona..)

Esse lance latino me lembrou uma conversa que tive hoje com Alexandre Herchcovitch, que fui entrevistar para uma matéria que estou escrevendo. Ele acha natural, de certa forma, que exista uma resistência do homem brasileiro às inovações na moda, aos novos shapes e materiais mais delicados. A cultura latina tem isso de precisar provar que se é macho, que é alguma coisa e não outra, acompanhado de uma atenção muitas vezes exagerada ao que os outros vão pensar. Tem toda razão. Mas isso está mudando, aos poucos. Portanto, ponha flores em sua vida.
enviada por Sylvain



07/05/2008 19:18

Raf Simons revisitado

Olha que legal esse vídeo que me caiu no colo nas garimpagens habituais pelo Youtube ( é...tô num momento vídeos). É o clipe do desfile de verão 2006 de Raf Simons, em Firenze, na Itália, que aconteceu dia 24 de junho de 2005. Aí vocês me perguntam: mas o Raf não desfila em Paris? E os desfiles na Itália não acontecem em Milão? Sim para as duas perguntas. Acontece que esse desfile aí do vídeo foi bem especial. Ele aconteceu durante a Pitti Imagine Uomo (feira giga que acontece na cidade com todas as novidades da moda pra homem a cada estação), comemorava os dez anos de carreira do estilista belga e foi acompanhado de uma exposição com fotos e videos sobre e de Simons, além do lançamento do livro "Raf Simons Redux" , que cobre a trajetória dele.
Tudo aconteceu numa locação linda de Firenze, o Giardino dei Boboli, jardim do século 18 considerado um dos 12 mais bonitos do mundo. Vale a pena rever esse momento tão especial, de um estilista tão especial.



enviada por Sylvain



06/05/2008 19:41

Tietando




Um videozinho de uma música que eu adoro de Serge Gainsbourg, "Elisa". Nesta versão, ele contracena com sua musa e esposa Jane Birkin, na época uma atriz em ascensão, filha da Swinging London dos anos 60, que tinha estourado graças ao eterno "Blow-up", de Antonioni. O toque inusitado vem no final do clipe, onde a gente percebe que existe uma platéia assistindo aos dois e rola uma mini-entrevista de Serge com Jane, que diz mais ou menos o seguinte:

Serge: "Você não se chama Elisa, não é?"
Jane: "Não, Jane"
Serge: "Jane de quê?"
Jane: " Jane Birkin"
Serge: "Você é atriz de cinema, não é?"
Jane: "Sim"
Serge:" Que filme você fez?"
Jane: "Blow-up"
Serge:" Com David Hemmings, né? Belo rapaz, não?"
Jane (envergonhada): "é..."
Serge: "Com quem mais trabalhou?"
Jane:" ahn...com o senhor"
Serge:" quem mais?"
Jane: "Com Alain Delon, em La Piscine"
Serge: "Belo rapaz também...quer dizer...veja bem..."

O ano era 1969, o casal estava se formando (tem um clima de flerte forte no ar) e parece que Serge (nascido Lucien Ginzburg -judeu total- sabiam?), já consagrado, tentava hypar a futura mãe de Charlotte. Com toda razão. Como era linda a Jane...e sexy...e com o charme do sotaque inglês falando francês...
Um dos casais mais cool que o mundo já juntou. Pronto, entrei em meu momento tiete total. Inevitável.




enviada por Sylvain



05/05/2008 22:30

Flores em você

Pensou que as estampas florais fossem tendência forte só para as mulheres mais românticas da sociedade, metidas delicadamente em seus cocktail dresses esvoaçantes ou encarnando o espectro boho da moda atual? Nanão. Tem flor para os namorados delas, para os pavões mais espalhafatosos (Marco Antonio di Biaggi já usa há tempos) e até para você, que é mais discreto. Quer ver?


Etro

Pra começar, tenha em mente que as flores serão a parte principal de seu look, o que não é difícil de conceber. Combine algo florido com outra peça de pegada mais rocker, como uma boa skinny e um par de sapatos em couro mais clássicos, tipo derbies, por exemplo, pra dar uma "quebrada" na feminilidade e na suavidade da coisa. A Etro mandou bem nesse quesito, em sua coleção de verão (europeu) 2008.


Dolce & Gabbana

Outra opção (mais fácil) é acrescentar peças cheias de testosterona a uma boa bermuda tipo surfista bem florida, como no look da Dolce & Gabbana. Olha como a boina, o cachecol e o cinto deram cara urbana e cool à produção. Apesar de entender a proposta de crash do desfile, não gosto muito da camisa mas, enfim, é só pra captar o conceito da coisa, ok?


Dries Van Noten

Por fim, se discreto é seu nome, escolha apenas um acessório colhido no jardim e acenda o look de maneira rápida e cheia de charme. Pode começar roubando um lenço daquela moça romântica lá do início ou achar a bandana certa para o seu estilo. Uma proposta hyperclássica como jeans e t-shirt branca arrematada com um lenço flower power no pescoço é tiro certo.

Pode arriscar, sem rótulos sexuais, afinal precisa ser muito macho pra sair por aí coberto de flores, não?


enviada por Sylvain



05/05/2008 20:17

Junya e Lacoste: Pra quê?



Ó: vou abrir espaço de novo para a Lacoste e suas parcerias mas, ao contrário do que fiz no último post em que falei do assunto, desta vez é para lamentar. O crocodilo francês se juntou ao samurai japonês Junya Watanabe para uma linha de pólos que tinha tudo para ser bacana. Decepção. Por pura preguiça, ou falta de criatividade, ou falta de tempo, ou falta de sei lá mais o quê (sim, porque a única coisa que dá pra dizer é que falta algo...) as pólos que nasceram desse casamento nipo-gaulês são...uma bobagem! As cores são as mesmas, o jacaré é o mesmo, os modelos são os mesmos. Tá, tudo bem, escureceram o pobre réptil em dois exemplares mas, e aí?? Tirando a etiqueta no interior da gola, nada mudou. E ainda vão vender isso tudo por uma bela grana a mais do que as tradicionais. Tudo bem que muitas vezes a gente compra mais pelo prazer de ter uma edição limitada na gaveta de casa mas, so sorry, nessa eu não caio. E espero que pouca gente caia. Nossos amigos Lacoste e Junya Watanabe que me perdoem. Passo.
enviada por Sylvain



02/05/2008 15:48

Misturar é uma arte




Tô há tempos querendo comentar a ótima matéria sobre o charme das misturas na moda masculina atual publicada no International Herald Tribune (tks, Marcio!) e escrita por David Colman. Já abordei o assunto aqui no blog algumas vezes e quem acompanha o que de melhor acontece no planeta fashion dos meninos já percebeu que o fundamento de misturar para acertar pegou de vez. O texto de Colman é bom porque é didático, dá dicas de como (des)combinar as padronagens de maneira clara e objetiva. Ele conversou com gente interessante e relevante para o tema, como Paul Smith e o vice-presidente da seção de moda masculina da Barney' s, Tom Kalenderian, que trouxeram visões de moda e mercado bem reveladoras. Tem ainda uma excelente comparação com a gastronomia, com aspas de Michael Romano, chef do Union Square Cafe, adepto do mix'n'match, que compara esse charme da moda masculina a seu exercício diário de casar os ingredientes certos em sua comida. Alguns toques para se dar bem na arte da mistureba são bem claros: as padronagens não devem estar na mesma escala de tamanho e importância, nem mesclar cores demais e devem manter uma certa harmonia de tons, ou seja, escolha se quer um look escuro ou claro e misture dentro desse universo (Correção: o texto diz que o look NÃO PRECISA ser totalmente claro ou totalmente escuro, portanto é mais divertido ainda, ok?) . O toque cool é parecer que você misturou as peças certas sem esforço, como se tivesse se vestido com pressa, sim, mas não como se fosse cego.



Abaixo algumas aspas que achei relevantes no texto de Colman.

"Os homens estão mais corajosos em relação às cores e padronagens atualmente." "É difícil afirmar o que é certo e errado hoje em dia. Você tem que ter a coragem de pensar que é capaz de acertar. É uma questão de autoconfiança e bom-gosto." Paul Smith (ele cita os exemplos de Fred Astaire e do Duque de Windsor, como homens que acertavam na elegância ao misturar as mais diferentes padronagens, lá nos idos dos anos 30).



"As padronagens ajudam a vender, não só na alfaiataria, mas também no sportswear. Os homens estão mais confiantes e estão aprendendo a se divertir com elas." Tom Kalenderian (Barney' s)



"Algumas combinações parecem esquisitas, mas funcionam. E é tão mais excitante e desafiador do que vestir uma camisa azul e um terno de cor lisa...". "Sou chef, combinar padronagens é o equivalente a provar uma comida realmente complexa. Quando você experimenta diferentes combinações, tem que parar e analisar onde é que realmente funciona. Não dá pra combinar qualquer padronagem, tem que seguir certas regras". Michael Romano (Union Square Cafe).

O texto cita exemplos de grifes que acertaram a mão nesse delicado campo minado das padronagens: Prada, Margiela e Junya Watanabe. Está dada a dica.
Quem quiser ler a matéria completa, clica aqui.
enviada por Sylvain



30/04/2008 17:57

Parcerias hypercool



Lá vou eu falar da Lacoste de novo...Mas o que eu posso fazer se, nos últimos tempos, a marca do jacaré tem acertado em cheio nas suas ações de marketing visando se reestabelecer como grife cult? Muitas vezes, o caminho para se atingir tal posto passa por estabelecer parcerias certeiras, com gente que tem know-how em edições limitadas, por exemplo, garantia quase absoluta de hype entre formadores de opinião. Foi o caso da Fred Perry com a Comme des Garçons (agora com Raf Simons), Adidas com Stella McCartney, Uniqlo com Chloë Sevigny, H&M com Kate, Madonna, Comme...Sem contar que existe a Oki-ni, empresa especializada só em criar produtos de tiragem limitada com todo tipo de gente, de McQueen a Levi's (essa é outra que vem acertando, já falo dela mais abaixo...), de Vans a Puma. Bom, mas no caso da Lacoste, as cartadas mais recentes foram os acordos com a Colette (templo das limited editions) para os dez anos da butique e com a revista mais-que-cult Visionaire.



Com a loja de Sarah, o resultado foi uma série de pólos brancas em que aparecem os mascotes Cap e Pep fazendo peraltices e brincando de alcançar o jacaré, que sai do peito e vai parar nos ombros ou nas mangas. As pólos foram lançadas gradativamente durante o mês de Março e podem ser encontradas também no e-shop da Colette. Para quem perdeu, tem comemoração também em Tóquio, na loja Isetan Shinjuku, onde uma expo dedicada a Cap e Pep vai levar as pólos para a terra do sol nascente.

Com a Visionaire, o negócio é chic, bem chic. A edição de número 54, que sai em Junho, é patrocinada pela Lacoste e será a primeira para vestir. A Visonaire Sport, como está sendo chamada, virá em quatro versões, cada uma com três pólos (P,M e G) estampadas exclusivamente. E como bem adiantou a Olívia, agora já dá pra visualizar as edições luxosas da Visionaire na internet. Perfeito para quem não tá podendo gastar os tubos para ter seu exemplar em casa.



Pra terminar, não posso esquecer da Levi's, que em matéria de parceria também está mandando muito bem. A inventora do jeans (cujo modelo 501 faz aniversário de 118 anos amanhã e foi considerado pela Times como o melhor item já criado pela moda, ganhando até do tubinho preto e da minissaia - aliás, é meu jeans favorito, ever) juntou moda e arte em grande estilo. Aliada ao garoto-prodígio das artes, o britânico Damien Hirst, e à Factory (sim, aquela do Andy Warhol), soltou uma linha exclusivíssima de 50 peças, dividida nos temas caveiras, borboletas e bolas.



Tem muita cor, muito brilho (o Damien tinha uma obra assim, lembram da caveira cheia de cristais?) e, supra-sumo, uma calça customizada pelo próprio Hirst, pela bagatela de US$ 80 mil. Pra emoldurar e pendurar na sua coleção de obras de arte, com certeza. O livro que acompanha a linha já virou tem-que-ter e traz o ator/diretor Vincent Gallo como modelo.


O livro Factory-Damien Hirst-Levi's

E o vídeo muito legal do desfile montado na Gagosian Gallery de Londres:


enviada por Sylvain



29/04/2008 18:44

Expo obrigatória (pra quem vai a NY)



Muhammad Ali, na célebre capa de Abril de 1968

Saiu hoje na Ilustrada uma matéria assinada pelo top jornalista Matinas Suzuki Jr (editor de Homem Vogue) sobre a recém-inaugurada exposição de capas da revista Esquire, no MoMa de Nova York. Muito bem escrito, o texto destrincha o que representa a publicação para o mercado editorial e para a sociedade como um todo, com suas sempre bem-sacadas mensagens embutidas nas fotos de capa. O lance é que o que está na mostra não são quaisquer capas, escolhidas aleatoriamente entre as publicadas em 75 anos de história. As capas expostas são as da década de 60, sob o comando criativo do famoso publicitário George Lois (ouvi falar muito dele na minha época de facul. Como sabem, me formei em publicidade e fui absorvido pela moda...).


Andy Warhol engolido por sua própria obra, em Maio de 69

Cheias de provocação e puro retrato de uma época, as capas criadas por Lois quase nunca vinham acompanhadas por textos e, freqüentemente, não tinham nenhuma relação com o conteúdo interno da Esquire. Através delas, o publicitário tomou partido em várias causas latentes da sociedade norte-americana na época, como o racismo, o feminismo e a guerra do Vietnã. Tudo isso com autonomia total. Nem mesmo o ousado editor Harold Hayes, que comandava a revista, podia intervir na criação das capas. Entre as mais famosas, estão a com Muhammad Ali caracterizado de São Sebastião (apesar de ter se convertido ao islamismo, ele topou), a de Andy Warhol sendo tragado por sua própria obra (no caso, uma lata de sopa Campbell) e a de alguém pintando lágrimas sobre uma foto de John Kennedy.


Sonny Liston, no Natal de 63

A capa publicada em dezembro de 63 com o lutador de boxe negro Sonny Liston vestido de Papai Noel, gerou muita polêmica e reza a lenda que o departamento comercial da publicação perdeu US$ 750 mil em contratos de publicidade cancelados (atitude típica dos EUA, ainda mais nos sixties).


A atriz Virna Lisi fazendo a barba, em Março de 65

Vale lembrar que a Esquire é uma bíblia do universo masculino, com 3/4 de século de bons serviços prestados ao jornalismo, assim como à cultura e à elegância nossa de cada dia. Guardo com carinho um exemplar do Big Black Book 2007 deles, espécie de guia de estilo, presente da minha amiga querida Ana Luiza, que traz mil dicas e regrinhas de moda masculina, passando por etiqueta e lifestyle. A expo traz 32 das 92 capas publicadas entre 1962 e 1972 e fica em cartaz até 31 de Março de 2009. Tem que ver (quem puder pegar a ponte aérea até NY, claro...). Mas dá pra ter uma palhinha no site da Esquire. Tem uma seção com todas as capas antigas. Vai lá.







Recadinho contra a guerra do Vietnã, em Outubro de 66




enviada por Sylvain






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Perfil de Sylvain Justum

Sylvain Justum

Sylvain Justum é stylist e jornalista freelancer.

Responsável pelo figurino de Lilian Pacce e Mariana Weickert no GNT Fashion e colaborador de Vogue, Homem Vogue e O Estado de São Paulo.

Franco-brasileiro de origem, por isso um autêntico azedo-doce. Paixões constantes e tão diversas quanto moda, música e futebol.




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